Famasul cobra indenização para fazendeiros que tiveram áreas ocupadas por indígenas em MS

Diante das novas invasões indígenas ocorridas em fazendas de Mato Grosso do Sul, como as que foram registradas em Sidrolândia, no último sábado (13), a Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) manifestou preocupação quanto ao impasse fundiário devido à resistência da União em assumir custos de indenizações.

Coletiva de imprensa na Famasul (Foto: Diogo Nolasco)

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (17), o atual presidente da Federal, Marcelo Bertoni, destacou a importância de que produtores rurais afetados pelas invasões sejam devidamente ressarcidos, diante das situações. 

“A partir do momento que eu tenho o título, que o Estado me vendeu, eu tenho que, pelo menos, o Estado me ressarça (…) que é a devolução do que ele vendeu indevidamente”, pontuou. 

Para Marcelo, não é possível “resolver uma injustiça criando outra injustiça”, mas desta vez com o produtor rural. Somente em 2026, ao menos dois acordos foram firmados entre estado e produtores rurais envolvendo a mesma situação da ocorrida em Sidrolândia. 

“Nós conseguimos recentemente uma conciliação em Antônio João […] conseguimos outra agora em Juti […] estamos trabalhando em mais duas áreas […] da forma correta, justa”, disse Bertoni. 

O advogado Tiago Amorim, representante da Comissão de Assuntos Agrários e Agronegócio da OAB-MS, apresentou uma nota em que os fatos ocorridos no estado trazem uma preocupação quanto à preservação da ordem constitucional. 

“O termo fundiário é complexo, sensível e exige responsabilidade do Estado. Isso todos reconhecemos. Existem direitos em discussão, existem reivindicações, existem processos históricos e existem deveres que precisam ser enfrentados pelas instituições competentes. Mas justamente por isso, não podemos relativizar direitos, garantias e preceitos constitucionais conforme a causa invocada em cada caso. A Constituição Federal protege direitos, mas também estabelece limites. Protege propriedade, exige função social, reconhece direitos indígenas, assegura o devido processo legal e impõe ao Estado o dever de garantir segurança, ordem pública e pacificação social. O que não se pode é admitir a ideia de que uma reivindicação, ainda que relevante, autorize invasão, incêndio, destruição de patrimônio, subtração de bens ou ameaça a trabalhadores. Violência é violência. E violência não muda de natureza porque é praticada sobre uma bandeira, uma causa ou uma pauta social. A forma de reivindicar direitos no Estado Democrático de Direito deve ser legal, institucional e constitucional”, destacou a nota. 

Por meio de nota, o Ministério Público Federal (MPF) alegou que está acompanhando o caso de perto.

“Informa ainda que peticionou perante a Justiça Federal solicitando audiência de conciliação para a prevenção de eventuais conflitos entre autoridades policiais e indígenas. O órgão solicitou ontem (16) uma audiência de conciliação, pedido que foi acatado pelo juízo, com realização prevista para a próxima semana. Em relação à demarcação da referida Terra Indígena, o MPF/MS informa que o caso segue sob apreciação do Supremo Tribunal Federal, cuja decisão final ainda é aguardada”, finalizou.

O caso

A Polícia Militar retirou indígenas que ocupavam duas fazendas desde sábado (13), em Sidrolândia. Conforme a Polícia Militar, durante a ação houve incêndio em residências e furto de insumos das propriedades. Equipes seguem na região.

As fazendas ocupadas foram a Água Clara e São Sebastião. Imagens divulgadas pela PM mostram residências completamente destruídas pelo fogo na Fazenda São Sebastião.

Maquinários agrícolas também teriam sido danificados, e árvores foram derrubadas e utilizadas como barricadas para impedir a ação policial, conforme a corporação.

Foram mobilizadas equipes do Comando de Policiamento Metropolitano, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária e do Batalhão Rural.

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Residência destruída pelo fogo durante a ocupação dos indígenas. (Foto: Divulgação PM)

As equipes permanecem no local para evitar um possível retorno dos indígenas e também apuram a eventual localização de objetos furtados que, segundo a PM, poderiam estar com lideranças indígenas da Aldeia Buriti.

Segundo a corporação, neste momento, “a situação na região é de total calma e normalidade”. Equipes da perícia técnica já estão nas propriedades realizando o levantamento dos danos materiais, do furto de insumos e dos prejuízos causados aos maquinários e às estruturas das fazendas.

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