A União Europeia não irá flexibilizar as exigências sanitárias para que a carne bovina brasileira volte a ser exportada ao bloco, segundo o embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher.
As regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal não são recentes e vinham sendo discutidas com as autoridades brasileiras havia anos, ainda de acordo com afirmação de Gallagher em entrevista ao g1.
A Irlanda ocupa a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, iniciada em 1º de julho e com duração de seis meses.
Conforme o embaixador, a retirada do Brasil da lista de países autorizados a vender carne ao mercado europeu, decisão tomada em junho deste ano e que passa a valer a partir de setembro, teria sido tomada de forma “técnica”. Diante disso, caberia ao governo brasileiro adotar as medidas necessárias para atender aos padrões exigidos.
Na época, a União Europeia alegou que o Brasil não apresentou garantias suficientes de que os antimicrobianos proibidos pelo bloco não são utilizados na pecuária nacional. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguiram autorizados a exportar normalmente.
Até então, o Brasil estava autorizado a vender ao bloco carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel. Com a decisão, todos esses produtos perderão acesso ao mercado europeu.
Apesar da decisão, Gallagher afirmou que o governo brasileiro mantém diálogo com a Comissão Europeia para buscar uma solução. Segundo ele, o bloco segue aberto às negociações.
Carne bovina e comércio internacional
“Se eu quiser exportar produtos da Irlanda para o Brasil, também preciso cumprir os requisitos sanitários e fitossanitários brasileiros antes de poder comercializar esses produtos. É o mesmo princípio. O Brasil não reduziria seus padrões apenas porque a Irlanda deseja exportar determinado produto. Da mesma forma, a União Europeia também não fará isso”.
Martin Gallagher Embaixador da Irlanda no Brasil
Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que “há grandes chances” de a produção de carnes brasileira não conseguir se adequar às novas exigências da União Europeia a tempo de evitar a suspensão das exportações.
Segundo a entidade, o ciclo de produção da pecuária bovina dificulta a adaptação às novas regras, que levaria cerca de 30 mese
Exportações de carne em cenário afetado
As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram um recorde no primeiro semestre de 2026, com crescimento tanto em receita quanto em volume. Apesar do resultado histórico, o setor prevê um cenário mais difícil nos próximos meses devido ao esgotamento da cota destinada à China e ao risco de restrições na União Europeia.
Entre janeiro e junho, o Brasil faturou US$ 9,929 bilhões com as vendas externas de carne bovina, avanço de 33,4% na comparação com o mesmo período de 2025.
Em volume, os embarques chegaram a 1,811 milhão de toneladas, crescimento de 7,3%. Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), os números representam o melhor primeiro semestre da série histórica nos dois critérios.
A China estabeleceu uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira em 2026. A Abrafrigo estima que esse limite tenha sido preenchido com as cargas contabilizadas até junho.
Com o esgotamento da cota, os volumes excedentes ficam sujeitos a uma sobretaxa de 55%. Por causa do custo adicional, os embarques brasileiros para o mercado chinês teriam sido interrompidos em julho, conforme a associação.
Entenda a proibição dos antimicrobianos
Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também são utilizados como promotores de crescimento na pecuária.
A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos considerados importantes para a saúde humana quando utilizados para estimular o crescimento dos animais.
Entre os produtos vetados pelo bloco europeu estão:
- virginiamicina;
- avoparcina;
- bacitracina;
- tilosina;
- espiramicina;
- avilamicina.
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