Ex-delegado é condenado por cobrar propina de presos em troca de cela com ar-condicionado e liberdade em MT

O ex-delegado de Peixoto de Azevedo, Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues, um investigador da Polícia Civil e dois empresários foram condenados pela Justiça de Mato Grosso por integrar um esquema de corrupção instalado na delegacia do município, no norte do estado.

Segundo a sentença, os envolvidos cobravam dinheiro de presos em troca de benefícios, como permanência em cela com ar-condicionado e até a concessão de liberdade após o pagamento da fiança.

Ex-delegado de Peixoto de Azevedo foi condenado por cobrar propina. – Foto: Reprodução

A condenação é resultado de uma ação penal proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que apontou a existência de um esquema de cobrança de vantagens indevidas dentro da unidade policial.

Conforme a decisão, presos e familiares pagavam para obter privilégios durante a custódia. Entre os benefícios oferecidos estavam a permanência em alojamentos com ar-condicionado, a liberação de bens apreendidos e facilidades para a soltura dos detidos após o recolhimento da fiança.

Além de Geordan, também foram condenados um investigador da Polícia Civil e dois empresários que, segundo o Ministério Público, participavam do esquema criminoso.

Delegado e investigado de Peixoto presos
Justiça de MT condenou ex-delegado de Peixoto de Azevedo. – Foto: Reprodução

A sentença reconheceu a prática de crimes de corrupção relacionados à atuação da Delegacia de Polícia Civil de Peixoto de Azevedo.

Geordan já havia sido alvo da Operação Diaphthora, deflagrada pela Polícia Civil em abril deste ano, que investiga outro esquema de corrupção envolvendo policiais civis, empresários e um advogado. Na ocasião, ele foi preso preventivamente, sob suspeita de receber propina de uma cooperativa de garimpeiros e de cobrar vantagens indevidas para liberar bens apreendidos e influenciar procedimentos criminais. O delegado foi colocado em liberdade na última quinta-feira (16), mediante cumprimento de medidas cautelares. O investigador preso na mesma operação permanece detido.

Defesa

Em nota, a defesa de Geordan Fontenelle informou que recebeu a sentença com tranquilidade, mas discorda da decisão. Segundo o advogado Pedro Henrique Gonçalves, não há provas suficientes para justificar a condenação e, por isso, a defesa recorrerá da sentença às instâncias superiores.

A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos demais condenados.

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