Alunos do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) denunciaram nesta quarta-feira (13) terem sido ameaçados por um homem que teria entrado no Campus para intimidar estudantes que revelaram uma suposta lista de alunas classificadas como “estupráveis” dentro da faculdade.
Segundo relatos registrados na delegacia, o suspeito seria pai de um dos universitários investigados por envolvimento com a lista. Os estudantes afirmam que ele circulou dentro do bloco e teria feito ameaças diretas contra três alunos.
O líder de turma da Engenharia Civil, Fábio Alcântara Rocha Filho, contou que decidiu se posicionar contra o colega após identificar, em conversas de WhatsApp, a participação dele na repercussão da lista. Segundo o estudante, o homem entrou na sala de aula acompanhado do filho e depois o abordou do lado de fora, durante o intervalo.
“Ele falou que, se o filho dele fosse expulso da universidade, eu iria pagar junto. Disse que podia me matar ali mesmo”, relatou o aluno.
Fábio afirmou ainda que percebeu um volume semelhante a uma arma na cintura do suspeito. O estudante disse ter ficado abalado com as ameaças e afirmou que o homem chegou a dizer que iria “escarnar vivo” os alunos que denunciaram o caso.
Até o momento, as imagens analisadas pela universidade não mostram nenhuma arma. Conforme os alunos, outros dois colegas também foram citados nominalmente durante as ameaças.
Caso foi parar na delegacia
O diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Perillo Barbosa Silva, afirmou que a universidade acolheu os estudantes assim que tomou conhecimento do caso. Segundo ele, a direção acionou a segurança da universidade, coletou imagens das câmeras e acompanhou os alunos até a delegacia, junto com familiares e advogado.
O diretor afirmou ainda que a instituição instaurou procedimentos internos para apurar tanto o episódio das ameaças quanto a participação de estudantes na lista investigada.
“É lamentável que infelizmente tenha ocorrido isso, uma instituição de ensino superior pública, gratuita, de qualidade, mas nós estamos tomando todas as providências administrativas enquanto universidade, faculdade, instaurando as comissões de inquérito. Isso vai ser apurado internamente e externamente, claro que cabe à polícia investigar e tomar as providências judiciais cabíveis”, declarou.
Ele confirmou que um dos estudantes investigados foi suspenso preventivamente enquanto o caso é apurado internamente.

Sobre a entrada do suspeito no campus, Roberto Perillo afirmou que o ambiente universitário é aberto e possui grande circulação de pessoas, o que dificulta a identificação imediata de visitantes.
Já o advogado Rodolfo Fernando Borges, que acompanha os estudantes, afirmou que os jovens ficaram em estado de choque após as ameaças. Segundo ele, os alunos passaram a cogitar abandonar temporariamente as aulas por medo de novos episódios.
“O rapaz ficou cerca de duas horas dentro do bloco esperando o término da aula para abordar os estudantes. Eles entraram em pânico”, afirmou.
O advogado também declarou que pediu medidas formais às autoridades policiais para evitar novas intimidações dentro da universidade. A Polícia Civil deve investigar tanto as ameaças quanto a identificação do homem apontado pelos estudantes.
Até o momento, a Universidade Federal de Mato Grosso ainda não divulgou posicionamento oficial sobre o caso, mas informou que deve emitir nota.