Estradas em condições precárias, falta de estruturas para armazenar a produção e os impactos cada vez maiores das mudanças climáticas estão entre os desafios enfrentados por produtores rurais. Em passagem por Mato Grosso, a série JN nas Ruas mostrou como essas dificuldades interferem diretamente na rotina do campo e também conheceu iniciativas que buscam tornar a produção mais sustentável.
Em uma das propriedades visitadas, novos silos ajudam a guardar parte da produção, mas a estrutura tem custo elevado. A armazenagem ainda é considerada um dos gargalos do agronegócio brasileiro, em um país que colhe cerca de 350 milhões de toneladas de grãos por ano.
E os problemas não ficam dentro das propriedades. Em uma estrada a cerca de 60 quilômetros de Juara (MT), o transporte da produção pode levar horas.
“Sabe quanto tempo está levando um caminhão desse, nove eixos, para fazer 60 quilômetros? Seis horas”, relatou a produtora rural Maressa Vilela.
Segundo ela, as más condições da estrada aumentam o tempo da viagem e ainda provocam prejuízos aos veículos. “É terra, buraco, aquelas costelas que você vai tremendo, que destrói o caminhão.”
O JN nas Ruas mostrou experiências de recuperação do solo. O Brasil possui cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas por abandono ou uso inadequado.
Em uma das fazendas visitadas, uma área que antes apresentava forte degradação passou por um processo de recuperação com técnicas como rotação e consórcio de culturas.
Além de devolver produtividade à terra, essas práticas podem evitar a abertura de novas áreas, ajudar na retenção de carbono no solo e favorecer o retorno da biodiversidade.
Na propriedade de Maressa, a presença de milhares de abelhas foi apontada como um sinal da recuperação ambiental. “Dizem que se não tiver abelha, não tem humano, não tem vida. A gente preserva as abelhas.”

Elas e a saúde das plantas mostram o resultado do uso de insumos biológicos, que vêm crescendo no Brasil. A pulverização nessa área da fazenda foi com Beauveria, um fungo que funciona como um inseticida natural desenvolvido pela Embrapa.
“Você diminui o químico. Eu acredito que faz sentido. Não é porque ela é legal, ela não. Faz sentido você entender a natureza e você trabalhar com ela própria”, contou a produtora.
A parceria entre produtores e pesquisadores também permite que novas tecnologias sejam testadas diretamente em áreas comerciais.
Segundo o pesquisador do Embrapa, Flávio Jesus Weuck, a pesquisa dentro das propriedades ajuda a validar as soluções em condições reais de produção.

“É muito importante, porque você faz uma pesquisa aplicada junto com o produtor. Você economiza dinheiro na pesquisa, porque é uma validação em escala comercial. Terminou a pesquisa o produtor pode usar”, finalizou..
O Brasil hoje é referência no uso de biológicos, porque é uma tecnologia que funciona. Então, ela é economicamente viável, é sustentável e aumenta a produtividade. Ah, você tem desde aqueles que você controla pragas, né, a desde aqueles que você promove uma fertilidade do solo.
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