Lideranças empresariais que atuam no setor turístico do Pantanal de Mato Grosso são contrárias à proposta de construção de uma ponte de concreto sobre o rio Cuiabá, na região do Porto Jofre, em Poconé (MT), que pode ligar Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pelo Pantanal.
Os empresários se reuniram com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT), Tião da Zaeli, na semana passada, onde apresentaram a posição contrária ao corredor rodoviário no Pantanal.
A mobilização contra a construção da ponte ocorre após a publicação de um protocolo de intenções entre a Secretaria de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT) e a pasta de Infraestrutura do estado vizinho, a Seilog.
Os empresários defendem a integração entre os municípios com potencial turístico na região, além de lutar pela construção de estrada, ligando Poconé a Barão de Melgaço (MT) e Poconé a Cáceres (MT), pelo porto Conceição no Rio Paraguai, bem como outros trechos, como a ligação do distrito de Joselândia com Águas Quentes.
O presidente da Fecomércio-MT, Tião da Zaeli, propôs a elaboração de um documento a ser encaminhado aos parlamentares que também defendem o Pantanal, além de convidar o secretário da Sinfra-MT, Marcelo de Oliveira, para uma reunião.
MS quer a ponte
Ao contrário do que os empresários de Mato Grosso defendem, em Mato Grosso do Sul, o setor produtivo cobra a retomada da MT-214, rodovia do lado sul-mato-grossense que chega até a região de Porto Jofre, e a construção da ponte de concreto para interligar os estados pelo Pantanal.
Em junho, representantes da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) e o secretário estadual de Infraestrutura e Logística (Seilog), Guilherme Alcântara de Carvalho, se reuniram para discutir a retomada da obra da estrada.
Do lado mato-grossense, já existe a estrada em Poconé que vai até a divisa com Mato Grosso do Sul, que no caso é a MT-060, a Rodovia Transpantaneira.

Polêmica da obra
Em março deste ano, comunidades tradicionais, entidades ambientalistas e representantes do turismo afirmam que a construção da ponte de concreto entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pode transformar a Transpantaneira em um corredor logístico para o transporte de cargas, aumentando o fluxo de veículos pesados, os atropelamentos de animais e os impactos sobre o Pantanal.
Em carta aberta, os grupos defendem a manutenção da estrada em seu modelo atual, voltado ao turismo sustentável, cobram estudos de impacto ambiental e maior participação da sociedade nas decisões sobre a obra.
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