Sem poder pagar canal, indígena conviveu 2 anos com dor de dente no Xingu

Durante dois anos, Awuni Iwanari conviveu com dor de dente porque não tinha condições financeiras de viajar até uma cidade e pagar pelo tratamento de canal. Moradora da aldeia Pavuru, no Território Indígena do Xingu, ela conseguiu receber atendimento gratuito durante uma ação odontológica realizada na região.

“Já fazia muito tempo que eu sofria com dor de dente. O dentista pediu para fazer canal, mas eu não tinha condições. Fazia dois anos que estava sofrendo”, relatou Awuni.

A dificuldade enfrentada por ela também faz parte da rotina de outros moradores do Xingu. Para conseguir atendimento especializado, muitos precisam percorrer longas distâncias e arcar com despesas de transporte, hospedagem e tratamento.

Sem poder pagar canal, indígena passa 2 anos com dor. – Foto: TVCA

O morador Ayka Txicão conta que um tratamento de canal pode custar entre R$ 700 e R$ 800, dependendo da cidade. Para ele, a presença dos voluntários permite que procedimentos antes inacessíveis sejam realizados sem custo.

Mais de mil procedimentos

A força-tarefa foi montada no Polo Base Pavuru e oferece tratamento de canal, próteses dentárias, cirurgias, exames radiológicos e outros procedimentos.

A expectativa é atender entre 120 e 150 pacientes de todas as idades, vindos de comunidades do Baixo e Médio Xingu. Mais de mil procedimentos deverão ser realizados durante a ação.

Em média, cada paciente passa por dez intervenções odontológicas. A estrutura foi preparada para que os atendimentos mais complexos também possam ser feitos dentro do território, evitando o deslocamento dos moradores para os centros urbanos.

“É de grande importância porque foram trazidos protéticos, endodontistas e cirurgiões para procedimentos mais complexos, como a retirada do dente do siso”, afirmou o cirurgião-dentista indígena Makuyum Ameriku Ikpeng.

Sem poder pagar canal, indígena passa 2 anos com dor. - Foto: TVCA
Sem poder pagar canal, indígena passa 2 anos com dor. – Foto: TVCA

Voluntários de diferentes regiões

A ação é realizada pela ONG Por 1 Sorriso, com apoio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e da Embaixada da Nova Zelândia.

Cerca de 40 voluntários de diferentes regiões do país participam do trabalho. A equipe reúne profissionais de várias especialidades da odontologia e conta com o apoio de trabalhadores indígenas que atuam na saúde dentro do Xingu.

Para a periodontista voluntária Thais Silva, o trabalho vai além do tratamento odontológico. “É conhecer povos diferentes e entregar aos pacientes alegria, autoestima e qualidade de vida. Ver um grupo de dentistas que fez uma escolha parecida com a minha é uma felicidade enorme”, declarou.

A participação dos profissionais indígenas também ajuda na comunicação com os pacientes, na identificação das necessidades de cada comunidade e na continuidade dos cuidados depois da saída da equipe de voluntários.

Cuidados continuam após a ação

Além dos procedimentos, os pacientes recebem orientações sobre higiene bucal, técnicas de escovação e formas de preservar o resultado dos tratamentos. Kits com escovas e outros itens também são distribuídos.

“A gente não deixa apenas uma questão de saúde bucal. Acredito que conseguimos mudar a autoestima e a vida das pessoas”, afirmou Juliana Fanaro, diretora da ação.

Ao final dos atendimentos, a expectativa dos moradores é que novas equipes retornem ao território para dar continuidade ao trabalho. “Sejam bem-vindos e voltem outras vezes para atender a nós, povos indígenas”, pediu Ayka Txicão.

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