De Mustang a raridades de colecionador, veja os carrões apreendidos em operação da PF contra o crime organizado

Imagens aéreas registradas pela Polícia Federal (PF) mostram a dimensão de parte das apreensões ocorridas durante o cumprimento da Operação Ifrit. A ação foi realizada na manhã desta quarta-feira (4) em Mato Grosso do Sul e outros seis estados brasileiros.

No pátio da PF em Campo Grande, ao menos 13 veículos apreendidos com os alvos somam valores milionários. Entre os modelos estão caminhonetes de luxo, carros de colecionador e até um Mustang, avaliado em R$ 500 mil. 

Segundo a investigação, os alvos fazem parte de uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e outros crimes. Entre os alvos estão uma família de Ponta Porã e o ex-delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa. O servidor é suspeito de desviar duas toneladas de cocaína. 

O grupo mantinha uma estrutura organizada para o tráfico internacional de drogas e armas que, segundo a investigação, adquiria os produtos na Bolívia, no Paraguai e no Peru, utilizando a fronteira de MS como rota de entrada no Brasil. 

As cargas abasteciam redes de distribuição em diferentes estados e também seguiam para o mercado europeu, principalmente Espanha e Portugal.

Operação IFRIT da Polícia Federal | (Divulgação)

De acordo com a PF, o entorpecente apreendido por forças de segurança era retirado do depósito e substituído por cocaína de baixa pureza, misturada a outros produtos. A droga original, com maior grau de pureza, era comercializada pelo grupo criminoso.

O delegado investigado teria atuado como chefe da Denar e do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras) até 2026. Conforme a investigação, ele teria facilitado o acesso de integrantes da organização às dependências da delegacia e ao depósito de drogas em diferentes ocasiões.

A Polícia Federal estima que o esquema tenha rendido ao delegado pelo menos R$ 15 milhões, além de veículos, uma mansão no condomínio Alphaville, em Campo Grande, e um sítio em Pirenópolis (GO). Os valores teriam sido obtidos ao longo de aproximadamente dois anos.

Confira abaixo o nome dos presos:

  1. Adel Hassan Haidar
  2. Maroan Fernandes Haidar Ahmed
  3. Adu le Vásques Haidar
  4. Hoffman D’Ávila Candido e Sousa
  5. Mamede Alhaj Haidar
  6. Fahd Haidar
  7. Renan Braian Garcia Presotto
  8. Bruno Banega
  9. Brendo Benega Pereira

A defesa de Hoffman disse em nota que aguarda acesso aos autos e que não iria se manifestar. Confira:

“A Defesa Técnica do Delegado de Polícia Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa informa que tomou conhecimento do cumprimento de novo mandado de prisão preventiva e de medidas de busca e apreensão no âmbito da denominada Operação Ifrit. Até o presente momento, a Defesa ainda não teve acesso integral aos autos, à decisão que fundamentou a nova custódia nem aos elementos probatórios que embasaram as medidas.

Diante disso, qualquer manifestação sobre o mérito seria prematura. Assim que houver acesso completo ao procedimento, a Defesa realizará a análise técnica do caso e adotará todas as medidas processuais cabíveis, assegurando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa“.

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Operação IFRIT da Polícia Federal | (Divulgação)

Organização atuava na fronteira entre MS e Paraguai

As investigações apontam que a organização era comandada por um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros familiares. O grupo mantinha ligação com facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

A principal área de atuação era a região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, mas a organização também mantinha ramificações em Campo Grande e em outros estados.

Segundo a PF, drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai. Os entorpecentes abasteciam cidades brasileiras e também eram transportados pelo país para posterior exportação à Europa, principalmente Espanha e Portugal.

A investigação identificou ainda a participação de policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e de um policial rodoviário federal de Mato Grosso. Conforme a apuração, os agentes forneciam informações sigilosas ao grupo em troca de dinheiro e bens, além de monitorar rivais e antecipar operações policiais.

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