O acesso ao crédito rural entrou em uma nova fase no Brasil, marcada por juros mais altos, maior exigência de garantias e dificuldade crescente para produtores e empresas do agronegócio. Esse cenário tem pressionado toda a cadeia produtiva e exige novas alternativas de financiamento, segundo o especialista em inovação financeira no agro Evaldo Carvalho, convidado da semana do podcast Agro de Primeira MT.
Durante a entrevista, Evaldo destacou que o cenário atual é resultado de uma combinação de fatores, como aumento das taxas de juros, maior alavancagem dos produtores, elevação da inadimplência e crescimento das recuperações judiciais no setor.
“De fato, o crédito no agro brasileiro tem mudado drasticamente. Nos últimos anos, a elevação das taxas de juros, a alavancagem do produtor rural, a questão do risco Brasil, isso tem trazido muita complexidade para o setor, assim como também o aumento da inadimplência”, afirmou.
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Segundo ele, a dificuldade de acesso aos recursos não está restrita aos produtores rurais, mas atinge toda a cadeia do agronegócio, incluindo distribuidores, cooperativas e agroindústrias. Para o especialista, o momento exige maior organização financeira e planejamento por parte dos agentes do setor.
“Hoje o acesso ao crédito não só por parte do produtor, mas como também por todos os setores e todos os segmentos do agro, está bem complexo. Então é algo que tem afetado não só o produtor, é toda a cadeia do agronegócio”, explicou.
Evaldo avaliou ainda que o modelo tradicional de financiamento, historicamente sustentado por recursos governamentais, já não acompanha o ritmo de crescimento do agronegócio brasileiro. Com isso, o capital privado e novas estruturas financeiras devem ganhar mais espaço nos próximos anos.
“Hoje o agro é muito maior do que a capacidade do governo de financiá-lo. Então, hoje, a iniciativa privada faz grande parte desse financiamento e eu não tenho dúvida que, para os próximos anos, a iniciativa privada cada vez mais vai tomar mais força e mais uma fatia desse segmento”, disse.
Novas fontes de recursos entram no radar do produtor
Entre as alternativas apontadas pelo especialista está o avanço dos fundos de investimento voltados ao agronegócio, como os Fiagros, que permitem a entrada de recursos do mercado de capitais para financiar operações do setor.
Para Evaldo, o futuro do financiamento rural passa pela diversificação das fontes de recursos e por uma mudança na postura do produtor, que precisará investir cada vez mais em gestão, transparência e organização dos dados da propriedade.
“O produtor do futuro é esse produtor com gestão, com informação, principalmente qualidade de informação, transparência e com os números da propriedade rural na ponta da língua”, afirmou.
Ele destacou que o momento exige adaptação, mas também representa uma oportunidade para produtores que conseguirem melhorar a gestão e buscar novas ferramentas financeiras.
“Se você não está conseguindo com suas próprias pernas, busque ajuda, busque um aconselhamento, crie alternativas. O produtor tem que ter gestão, transparência, inteligência financeira e inteligência estratégica de compra e venda”, concluiu.
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