Copa do Mundo 2026 deve movimentar R$ 4,32 bilhões no comércio brasileiro

A Copa do Mundo de 2026 deve movimentar o comércio brasileiro antes mesmo de a bola rolar. Entre encontros para assistir aos jogos, confraternizações em casa, bares cheios e supermercados mais movimentados, o Mundial deve gerar impacto positivo de R$ 4,32 bilhões no faturamento do varejo nacional.

O levantamento faz parte da pesquisa Copa do Mundo 2026, elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa crescimento real de 6,5% em relação à edição de 2022, quando o comércio brasileiro registrou faturamento extra de R$ 3,76 bilhões por causa do torneio.

Setor de alimentos e bebidas deve responder por 68,7% das vendas relacionadas ao Mundial – Foto: reprodução

O setor de alimentos e bebidas deve puxar a maior parte desse movimento. Segundo a CNC, o segmento deve responder por 68,7% das vendas relacionadas ao Mundial. Na prática, isso significa mais procura por itens de consumo imediato, como carnes, bebidas, petiscos, congelados e produtos usados em reuniões de amigos e familiares para acompanhar as partidas.

Em Mato Grosso, a expectativa também é positiva. De acordo com o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, a Copa costuma aumentar a demanda em bares, restaurantes, mercados e supermercados, especialmente nos dias de jogos. A estimativa é que o evento possa gerar impacto adicional entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões no comércio estadual, considerando a participação do estado na economia e no mercado de trabalho nacional, com base em dados do IBGE e da própria CNC.

Além dos alimentos e bebidas, o vestuário também deve ganhar espaço nas compras dos torcedores. Camisas, acessórios e peças nas cores da seleção aparecem como o segundo grupo com maior impacto esperado, respondendo por 18,5% das vendas. Já os artigos de uso pessoal e doméstico, incluindo eletroeletrônicos, devem representar 6%.

A menor participação dos eletroeletrônicos tem relação direta com o crédito mais caro. De acordo com a análise da CNC, a taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano, está acima do patamar observado antes da Copa de 2022, quando estava em 12,75%. Além disso, os juros médios das operações de crédito para pessoas físicas passam de 61% ao ano, enquanto em meados de 2022 estavam abaixo de 50%.

Com o financiamento mais pesado no bolso, a tendência é que o consumidor pense duas vezes antes de trocar a televisão ou comprar produtos de maior valor. A procura por esses itens segue 15,6% abaixo da registrada às vésperas da Copa de 2022 e também permanece menor do que os níveis observados em 2014 e 2018.

Por outro lado, produtos mais baratos e ligados ao consumo imediato devem ganhar força. A aposta do comércio é que a paixão pelo futebol continue levando consumidores aos supermercados, bares, restaurantes e lojas, transformando os dias de jogo em oportunidades para diferentes segmentos do varejo e dos serviços.

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