Ameaça de novas tarifas derruba exportações do Brasil para os Estados Unidos; entenda os dados

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram forte retração nos primeiros cinco meses de 2026, em um cenário marcado pela ampliação de tarifas sobre produtos estrangeiros e pela incerteza gerada pela política comercial norte-americana. Dados divulgados pela Amcham Brasil mostram que as vendas brasileiras ao mercado americano somaram US$ 14 bilhões entre janeiro e maio, uma queda de 16% em relação ao mesmo período de 2025.

Entre os 10 principais produtos exportados aos EUA entre janeiro e maio, apenas dois apresentaram melhor desempenho nas vendas para o restante do mundo. – Foto: Agência Brasil

Segundo o levantamento, o resultado é o pior para o período desde 2022, apontando uma tendência de enfraquecimento do comércio entre os dois países. Apenas em maio, as exportações brasileiras para os EUA alcançaram US$ 3,09 bilhões, valor 14% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

Esse foi o décimo mês consecutivo de queda nas vendas externas para o principal parceiro comercial do Brasil fora da América do Sul. O estudo aponta que tanto produtos sujeitos às novas taxas quanto mercadorias isentas foram afetados.

No acumulado do ano, os bens com sobretaxa apresentaram queda de 16,8%, enquanto os produtos sem sobretaxa recuaram 15,3%. Entre os itens tarifados, aqueles com cobrança adicional de 10% tiveram o pior desempenho, com redução de até 22,6%.

Entre os principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, as maiores quedas ocorreram nas vendas de petróleo bruto, com queda de 42,4%, enquanto as exportações de café não torrado diminuíram 37,9% no acumulado do ano.

Motivações da queda

A Amcham destaca que a redução nas exportações foi influenciada tanto pelas sobretaxas aplicadas pelos EUA quanto por fatores específicos de mercado. No caso do petróleo, houve diminuição da demanda americana, enquanto o café foi impactado por problemas de safra no Brasil. O ferro fundido bruto, que está entre os produtos afetados pelas tarifas, também apresentou queda expressiva nas vendas.

Apesar do cenário negativo, alguns setores conseguiram ampliar suas exportações para os Estados Unidos. As vendas de carne bovina cresceram 36%, enquanto os embarques de aeronaves e outros equipamentos avançaram 24,4% no acumulado de janeiro a maio.

A queda mais intensa das exportações em comparação às importações contribuiu para o aprofundamento do déficit brasileiro na balança comercial com os Estados Unidos. Nos cinco primeiros meses de 2026, o saldo negativo chegou a US$ 1,5 bilhão, alta de 43,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Mesmo com a retração, os Estados Unidos seguem como o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. No entanto, enquanto as vendas para o mercado americano encolheram 16% no acumulado do ano, as exportações brasileiras para o mundo cresceram 8,7% no mesmo período.

  1. União Europeia oficializa veto à carne brasileira e suspende importações a partir de setembro

  2. China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e abre caminho para ampliar compra de carne

  3. Reforma Tributária alivia impostos no campo, mas encarece insumos em MS

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia