Investigações da Operação Rota Clandestina revelaram que o grupo investigado movimentou mais de R$ 425 milhões, entre 2019 e 2024, por meio de empresas de fachada, para lavagem de dinheiro. A Justiça Federal determinou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, sendo 13 em Campo Grande e um em Santa Luzia (MG). Os cinco presos eram considerados essenciais para a logística e a gestão financeira da organização criminosa. Outros cinco alvos também passaram a ser monitorados por tornozeleira eletrônica.
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Operação mira grupo que movimentou R$ 76 milhões em cigarros
Os investigadores identificaram os suspeitos após constatarem movimentações incompatíveis com a renda declarada por eles, além de transferências fracionadas e o uso de mecanismos informais de remessa de valores ao exterior. Os criminosos também usavam empresas de fachada para lavar dinheiro.
Conforme a Receita Federal, pelo menos 12 grandes apreensões ligadas ao grupo criminoso que resultaram na operação, contabilizam mais de 1 milhão de cigarros contrabandeados.
“Trouxe uma certa preocupação para Receita Federal e para os órgãos que participaram da operação o nível de sofisticação para envio dessa desses recursos para o exterior, além dos envios tradicionais que nós já conhecemos, seja por movimentação financeira, ou por meio de recursos em espécie.
A Receita Federal identificou que houve transferência desses recursos por meio de criptomoeda. Isso, de certa forma dificulta o trabalho de fiscalização, mas com a experiência e a expertise dos nossos colegas, foi possível identificar essa movimentação financeira”.Erivelto Alencar, Superintendente-Adjunto da Receita Federal na 1ª Região Fiscal
A polícia apreendeu carros, dinheiro, celulares e uma moto aquática durante a operação.

Conforme as investigações, os cigarros eram comprados no Paraguai, e trazidos clandestinamente para o Brasil, por rotas alternativas na região de fronteira. Para dificultar as fiscalizações, os suspeitos carregavam a mercadoria contrabandeada em pequenas cargas.
Após entrar no território brasileiro, os produtos eram armazenados em casas e estabelecimentos comerciais de Campo Grande, sendo distribuídos para outras regiões do Brasil.
“Além do crime de contrabando, foi identificado o crime de evasão de divisas lá lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foi também identificada evolução patrimonial incompatível com a renda declarada”.
Erivelto Alencar, Superintendente-Adjunto da Receita Federal na 1ª Região Fiscal
Os investigados irão responder por organização criminosa, contrabando, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A operação foi batizada de “Rota Clandestina” em referência aos caminhos usados para o contrabando chegar em Campo Grande.

“Os que são alvos de prisão são pessoas que têm uma responsabilidade mais importante dentro da cadeia delitiva ou já tem um histórico criminal anterior, já participaram de outras informações. Então, essas prisões que foram deferidas também pelo poder judiciário federal vão levar em consideração essa atuação, essa estrutura, né? Então é uma organização criminosa realmente que chama atenção.
E sem prejuízo da identificar também outros para outras pessoas, né, outros elementos que participem aí dessa estrutura, seja hierarquia superior ou em outras funções no decorrer da investigação”.Anézio Rosa de Andrade, Delegado da Polícia Federal
Segundo a Receita Federal, o contrabando de cigarros provoca concorrência desleal da mercadoria empresas legalizadas de tabaco no território nacional, além de estar ligado a outros crimes no país.