O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) diminuiu a pena de Gilberto Rodrigues dos Anjos, autor da ‘Chacina de Sorriso’. Ele havia sido condenado a 225 anos de prisão pelos estupros e assassinatos de Cleci Calvi Cardoso, e das filhas dela, Miliane, de 19 anos, Manuela, de 13, e Melissa, de 10, em novembro de 2023, em Sorriso (MT).
A reportagem do Primeira Página apurou que a pena de Gilberto foi redimensionada para 219 anos e 6 meses de reclusão, após a Quarta Câmara Criminal acatar parcialmente os argumentos da defesa, que questionavam a confissão espontânea feita na delegacia de Sorriso.
Com isso, a pena foi diminuída em 5 anos e 6 meses de reclusão. O voto do desembargador-relator desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues também consignou que a confissão poderia ser reconhecida mesmo sendo parcial, qualificada ou retratada posteriormente, conforme jurisprudência do STJ.
Foram rejeitados os demais argumentos defensivos relacionados à dosimetria, inclusive pedido de redução da pena-base; alegação de excesso na fração de aumento; e afastamento da vetorial negativa da personalidade.
Argumentos da defesa
Em 2025, a defesa de Gilberto, patrocinada pela Defensoria Pública, ingressou com recurso contra a condenação do réu pedindo reforma da sentença. Entre os argumentos estavam supostas falhas na dosimetria da pena, que é a soma da quantidade de anos que o réu deve cumprir na pena, com menção de que o juiz que presidiu a sessão não teria especificado as frações utilizadas no cálculo.
A Defensoria considerou indevido o uso da “personalidade negativa do agente” e menciona que não há nos autos laudo de psicólogo ou médico psiquiatra sobre a personalidade de Gilberto.
Com isso, foi requerida a reforma da sentença com redimensionamento das penas-bases dos quatro crimes de homicídios e dos três crimes de estupros, além de exposição clara dos critérios empregados.
Foi citado ainda que o recurso não busca discutir se o réu é culpado ou inocente, mas sim como a pena foi calculada.
“A Defensoria Pública atua para que toda decisão judicial respeite os limites previstos na lei. Em processos criminais, isso significa fiscalizar se a pena foi calculada corretamente, se houve respeito ao devido processo legal e se os direitos fundamentais foram observados. Isso não diminui a gravidade dos fatos, mas garante a justiça sem ilegalidades”, diz trecho.
Agora, com o recurso acatado parcialmente pelo TJMT, Gilberto permanece preso e deve cumprir o tempo máximo previsto em lei que é de 40 anos de prisão.
O julgamento
Gilberto Rodrigues dos Anjos, 34, foi condenado pelo Tribunal do Júri a 225 anos de reclusão pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio, cometidos contra uma mãe e as três filhas na madrugada do dia 24 para 25 de novembro de 2023, em Sorriso.
O julgamento ocorreu em 7 de agosto de 2025. A sentença foi proferida pelo juiz Rafael Deprá Panichella, da 1ª Vara Criminal de Sorriso, após cerca de 10 horas de julgamento.

Em relação à Cleci, os jurados reconheceram os crimes de feminicídio triplamente qualificado, com a causa de aumento de pena, bem como o estupro de vulnerável. Em relação à Miliane houve o reconhecimento de feminicídio triplamente qualificado com a causa de aumento, bem como o estupro.
Em relação à Manuela, reconheceu-se o crime de feminicídio quadruplicamente qualificado com a incidência de causa de aumento e a condenação por estupro de vulnerável. No caso de Melissa, houve o crime de feminicídio e cinco qualificadoras, e causa de aumento, o que levou às penas dosadas.
O réu exerceu o direito de não prestar depoimento e não foi interrogado pela acusação e defesa.

O caso
Em 24 de novembro de 2023, Gilberto invadiu a residência de Cleci Calvi Cardoso e assassinou brutalmente ela e suas 3 filhas. Os corpos foram achados dia 27, após Regivaldo Batista Cardoso, que estava em viagem de trabalho, notar que esposa e filhas não o atendiam e acionar a polícia e familiares.
Gilberto foi encontrado e preso, em uma construção civil ao lado da residência onde cometeu o crime.

Outros crimes
Em 16 de maio de 2025, Gilberto foi condenado a 17 anos de prisão pelo homicídio do jornalista Osni Mendes Araújo, ocorrido em 2013, na cidade de Mineiros (GO). Ele chegou a ficar 6 meses preso pelo crime, mas conseguiu liberdade e não foi mais encontrado desde então.

Em 25 de março também de 2025, ele foi condenado a 22 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão pelo Tribunal do Júri de Lucas do Rio Verde (MT) por crimes de estupro, tentativa de feminicídio e lesão corporal qualificada pela violência de gênero.
A condenação se refere a crimes cometidos em 17 de setembro de 2023. Na madrugada daquele dia ele invadiu a residência de uma mulher e a ameaçou e estuprou. Ele ainda tentou matá-la, mas a vítima conseguiu escapar.
Atualmente Gilberto encontra-se preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
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