Como uma fazenda de MT saiu da caneca de chuva para a tecnologia

Uma propriedade rural de Campo Verde (MT) utiliza dados em tempo real para orientar o manejo de 1.600 hectares de milho e algodão. A fazenda da família Minuzzi também mantém 700 hectares de floresta e dez nascentes preservadas.

Antes da adoção de novas tecnologias, o acompanhamento das chuvas era feito pelo avô do produtor Thiago Minuzzi, com equipamentos improvisados e registros em um caderno.

“Ele tem uma medição já bem antiga; ele tinha uma caneca com a qual ele coletava as chuvas. Tinha um vidrinho riscado; ele anotava quando chovia. Sempre na sede ele acompanhava, anotava num caderninho”, contou Thiago Minuzzi.

Atualmente, os dados meteorológicos e as informações sobre as lavouras chegam em tempo real aos produtores. As ferramentas auxiliam na definição do momento adequado para a entrada das máquinas no campo, no controle dos custos e na redução de desperdícios.

“Ah, hoje a tecnologia, tudo na propriedade tem tecnologias para melhorar, para facilitar o manejo, melhorar a tomada de decisão. Você tem que ter esse esses parâmetros para conseguir uma produtividade melhor e com custo mais adequado”.

Tecnologia no campo auxilia produtores a um monitoramento melhor. – Foto: Reprodução

Máquinas monitoradas

A tecnologia também está presente nas máquinas agrícolas. Os equipamentos informam dados como velocidade, trajeto, funcionamento do piloto automático e temperatura do motor.

“Estão de velocidade, piloto, é, o trajeto que você tem que fazer, temperatura do motor, tudo. Um solzão desse aí de 40 graus não é fácil. Dentro da cabine nós estamos com 18 graus, enquanto lá fora está 40”, contou operador de máquina Johnny Roberto Trajano.

A tecnologia também está presente nas máquinas agrícolas. - Foto: TVCA
A tecnologia também está presente nas máquinas agrícolas. – Foto: TVCA

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de grãos está estimada em 360 milhões de toneladas, aumento de 2% em relação à safra anterior.

Preservação de nascentes

Além do uso de tecnologia na produção, propriedades rurais de Mato Grosso participam de ações voltadas à preservação ambiental. Um projeto da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso monitora cerca de 100 mil nascentes no estado. Desse total, 95% estão preservadas.

“Hoje nós temos a consciência do quanto a preservação é importante, né? Hoje em dia, a parte da sustentabilidade é o passaporte para que o nosso produto possa ser aceito em outros mercados”, explicou Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja.

Projeto monitora cerca de 100 mil nascentes no estado. - Foto: TVCA
Projeto monitora cerca de 100 mil nascentes no estado. – Foto: TVCA

Na fazenda da família Minuzzi, dez nascentes são mantidas em áreas preservadas. “Isso faz parte do ciclo das chuvas, que atinge o agro e a população em geral. Nossa saúde depende desse ciclo das chuvas, em que a água vai e retorna para a gente, tornando tudo mais fértil. Precisa da água, precisa da preservação do meio ambiente, precisa das florestas, das matas. Tem que ser um conjunto e trabalhar isso em harmonia”, contou Thiago.

A propriedade é uma das mais de 5 milhões existentes no país. A rotina da família foi apresentada neste 28 de julho, Dia do Agricultor, como exemplo das mudanças provocadas pela tecnologia na produção rural.

“É um motivo de muito orgulho o que o produtor brasileiro faz. De fato, não é a entidade que faz tudo isso. O produtor já faz. O nosso trabalho é mostrar e aprimorar cada vez mais essas técnicas, principalmente em se obter mais. E o maior orgulho é justamente essa união do produtor, que dá força para que a gente possa mostrar para o mundo tudo aquilo que fazemos de bom”, concluiu Lucas Costa.

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