Como reconhecer sinais precoces de sofrimento psíquico

O sofrimento é um estado emocional desagradável que afeta a humanidade em todo e qualquer lugar do planeta. É, portanto, uma experiência humana universal, que varia de um leve desconforto até um desconforto intensamente maior, uma dor insuportável, que atinge o corpo físico ou mental ou ambos.

O sofrimento físico é geralmente mais palpável, muitas vezes visível, porque tem base orgânica localizada e, por isso, talvez mais fácil de tratar. O tormento físico está presente em determinadas doenças ou lesões, assim como em dores de diferentes regiões do corpo.

Ocorre, também, por razões não patológicas, como no caso de cansaço extremo, sono, sede e fome. É importante saber que há diferença entre dor e sofrimento, mas quando a dor é intensa ou quando ela é prolongada, provavelmente o sofrimento vai lhe fazer companhia.

O sofrimento psíquico é diferente do físico, porque não é palpável, não é visível, não tem causa orgânica localizável, mas vem acompanhado de dor emocional tão real quanto à física, aquela que parece estar no fundo da alma. É um sofrimento que se observa na angústia, na tristeza profunda, e em sentimentos negativos, como solidão, vergonha, medo, culpa, desespero, desamparo e outros.

O que se percebe na prática é que há uma coexistência entre dor e sofrimento psíquico, visto que uma dor física de longo tempo quase sempre provoca sofrimento psíquico; em contrapartida o sofrimento emocional intenso e duradouro pode gerar diferentes dores físicas.

É importante lembrar que o sofrimento é subjetivo e o que é sofrimento para uns, pode não ser para outros. Também devemos ter em mente que o padecimento pode desaparecer rapidamente, assim como ser prolongado. O sofrimento pode ser devido a uma doença crônica, à perda de um ente querido, ao sentimento de rejeição, à vida solitária, à queda de status social, etc.

O sofrimento psíquico pode – e o faz muitas vezes, dependendo de sua intensidade e duração – comprometer o funcionamento mental. É a partir de então que o sofrimento psíquico se transforma em adoecimento psíquico, em que diversas áreas do aparelho mental são prejudicadas. Os maiores prejuízos acometem o pensamento, a vontade, a atenção, a concentração e a memória.

Saúde mental é essencial e precisa de cuidados (Foto: Ilustrativa | Agência Brasil)

Não obstante essas considerações, é importante tomar conhecimento de que sofrimento e doença mental não significam a mesma coisa, mas o sofrimento é um forte sinal de alerta de risco de transtorno mental e não deve ser banalizado. É uma aflição que atinge importantes componentes da saúde, como sono, apetite e energia, com fortes repercussões para a vida social, acadêmica e profissional.

O sofrimento psíquico pode ter múltiplas causas, tais quais: desemprego, separação, tensões do dia a dia, pressões sociais, baixa autoestima, ou até mesmo surgir sem qualquer motivo aparente. Sofrimento psíquico não é fraqueza ou “frescura”, ele dói, é real e tem base biológica e psicológica. Pode instalar-se abruptamente, mas muitas vezes chega lentamente, em silêncio.

É importante que o reconheçamos o mais rápido possível, antes que se transforme em algo mais grave, antes que o desconforto emocional evolua para um transtorno mental de maior relevância.

Para reconhecer, precisamos ter ciência dos principais sinais alerta, como alterações no sono e no apetite, mudanças no humor e nas emoções, isolamento social, queda no desempenho cotidiano, sintomas físicos sem causa orgânica aparente, pensamentos negativos recorrentes. Ao identificarmos esses sinais, não estamos sendo alarmistas, mas apenas cuidadosos, visto que há tratamento para evitar um mal maior. Para isso, há necessidade urgente de buscar ajuda profissional.

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