Colheita do gergelim começa em MT com queda na produtividade e foco na exportação

Quando as cápsulas de gergelim começam a se abrir, é sinal de que chegou a hora da colheita. Mas, o tempo é curto. Como a semente é leve e fica solta dentro da cápsula, qualquer vento mais forte pode provocar perdas no campo.

“Por ser uma semente muito leve, ela fica solta dentro da cápsula. Então, se tiver um vento um pouco maior, o próprio vento leva a semente para fora. Quando dá a umidade certa e já dá para colher, tem que aproveitar para tentar extrair o máximo possível e não perder”, explica o produtor Cleiton Frigo.

O ciclo do gergelim dura aproximadamente 120 dias. Depois desse período, a haste, as folhas e os frutos já estão secos. É nesse momento que ocorre a deiscência, fenômeno em que as cápsulas se abrem naturalmente para liberar os grãos.

A propriedade de Cleiton fica em Tapurah (MT). Nesta temporada, ele plantou 780 hectares de gergelim, cerca de 200 hectares a mais que no ciclo anterior. O produtor decidiu ampliar a área depois de reduzir o plantio de milho, por causa do alto custo de produção do grão. Apesar disso, a safra não foi das mais fáceis.

A estimativa é que a produtividade média fique em 600 quilos de gergelim por hectare. No ano passado, o produtor chegou a colher até uma tonelada por hectare.

“Devido ao clima, choveu muito. Foi um ano adverso e teve muita doença. Acredito que a maior parte foi por causa das doenças fúngicas. A genética da semente também vai perdendo, porque dá muita doença. Ela acaba produzindo menos, formando menos cápsulas e, com isso, dá menos grão e menos quilos por hectare”, afirma Cleiton.

Mato Grosso é o estado que mais produz gergelim no país. A previsão é que sejam colhidas 230 mil toneladas do grão nesta safra, volume quase 20% menor que o registrado no último ciclo. Além da produtividade mais baixa, a área cultivada também foi reduzida. Foram semeados 9% a menos que na safra anterior.

Grãos de gergelin após o plantio. – Foto: Adobe Stock

A queda está ligada, principalmente, ao preço. O quilo do gergelim, que estava acima de R$ 4 no início da última temporada, caiu para até R$ 3 em algumas regiões.

“Nós tivemos uma redução nos preços no ano passado, até pelo fato de o Brasil ter entrado nesse mercado com um volume bastante expressivo no mercado mundial. O país sai de uma condição praticamente marginal em termos de produção mundial e passa a ser um player importantíssimo de um ano para o outro. Os outros países não adequaram o volume ao fato de que o Brasil estava entrando no mercado”, explica o técnico agrícola Thiago Rosa.

Segundo ele, a entrada do Brasil com grande volume no comércio internacional pressionou os preços.

“Se o mercado mundial comercializa todo ano entre 2 milhões e 2,3 milhões de toneladas e o Brasil entra com 400 mil toneladas, faz uma diferença bastante grande e acaba fazendo com que o preço médio baixe. Durante a colheita do ano passado, vimos os preços caindo, e isso desestimulou os produtores a plantarem”, completa Thiago.

Mesmo com a retração, quem semeou nesta safra já tinha destino certo para a produção. Segundo o Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses, quase 100% dos produtores plantaram sabendo para quem iriam entregar os grãos após a colheita.

É o caso do produtor Leandro Lodea, que já está com as máquinas trabalhando no campo e na indústria, onde é feito o beneficiamento. De lá, o destino principal é o mercado externo.

“De 99% a 99,5% vai para exportação. Os principais países hoje são China, Índia e Turquia. Lá, esse produto se transforma em óleo ou tahine, dependendo do país e da finalidade”, explica Leandro.

Com forte demanda internacional, o gergelim segue como alternativa para produtores de Mato Grosso, especialmente em áreas onde culturas tradicionais, como o milho, tiveram aumento no custo de produção.

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