Em Alto Taquari (MT), município com cerca de 8 mil habitantes, nove em cada dez empregos formais da indústria estão ligados à fabricação de etanol e açúcar. O dado mostra o peso que o setor de bioenergia passou a ter na economia de cidades do interior do estado.
Segundo levantamento do Observatório de Mato Grosso, ligado ao Sistema Fiemt, em parceria com o Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind-MT), 90% dos empregos industriais formais de Alto Taquari estão concentrados nas atividades relacionadas à produção de etanol e açúcar.
A dependência também é elevada em outros municípios. Em Nova Olímpia (MT), por exemplo, o setor representa 85% dos empregos industriais, com cerca de três mil pessoas trabalhando diretamente na atividade de bioenergia.
Em todo o estado, Mato Grosso possui atualmente 19 usinas em operação, distribuídas em 17 municípios. As unidades processam cana-de-açúcar e milho e são responsáveis pela produção de 7,3 bilhões de litros de etanol na safra 2025/26.
O crescimento do setor também aparece nos números de emprego. Entre 2019 e 2025, a quantidade de postos de trabalho formais na produção de biocombustíveis e açúcar cresceu 87% em Mato Grosso. No mesmo período, os demais segmentos industriais registraram crescimento de 34%.
Em 2025, 10.760 trabalhadores estavam empregados diretamente nas unidades industriais do setor, o equivalente a 5,3% de todos os empregos formais da indústria mato-grossense.
Quando considerados os empregos indiretos e induzidos, o impacto é ainda maior. O levantamento estima que mais de 151 mil postos de trabalho em Mato Grosso estejam relacionados à cadeia da bioenergia.
Setor movimentou R$ 586 milhões em salários
Além da geração de empregos, a indústria de etanol e açúcar movimentou R$ 586,6 milhões em pagamento de salários em 2025. O valor representa cerca de 9% de toda a massa salarial paga pela indústria de Mato Grosso.
Desde 2017, quando entrou em operação a primeira usina do estado dedicada à produção de etanol de milho, o setor acumula R$ 27 bilhões em investimentos.
Atualmente, outras três unidades estão em construção e duas passam por processos de ampliação. Os novos projetos representam aproximadamente R$ 6,8 bilhões em investimentos em andamento.