Um vídeo registrado por uma câmera de segurança pode ajudar a esclarecer os momentos que antecederam o feminicídio de Mirela dos Santos Kaluzny, de 28 anos, em Feliz Natal (MT). As imagens mostram um homem, ainda não identificado, chegando à uma residência acompanhado da vítima.
O homem que aparece no vídeo não é Carlo Alves Soares, de 43 anos, preso pela Polícia Militar e apontado como principal suspeito de matar Mirela a facadas. Segundo as informações levantadas até o momento, a identidade do homem e sua relação com a vítima ainda são investigadas pela Polícia Civil.
Nas imagens, o homem aparece junto de Mirela antes de entrar na residência onde, horas depois, a jovem seria encontrada morta. O registro mostra que entre o momento em que ambos entram juntos na casa e a saída desacompanhado do homem durou apenas sete minutos.
Veja o vídeo:
Mirela era natural do Acre, mas vivia em Feliz Natal. Ela foi enterrada na segunda-feira (7), no município mato-grossense. A jovem deixa um filho de 6 anos.
Suspeito foi preso escondido
O principal suspeito foi preso na madrugada de domingo (6), após a Polícia Militar ser acionada por uma moradora que teria ouvido gritos vindos de uma residência.
Ao chegar ao imóvel, os policiais encontraram Mirela caída e ensanguentada. A equipe também localizou Carlo escondido em um corredor externo da casa. Conforme o boletim de ocorrência, ele estava embriagado e obedeceu à ordem dos militares para se levantar e se aproximar da equipe.
Ainda segundo o registro, Carlo relatou espontaneamente que havia discutido com Mirela. Ele alegou aos policiais que teria sido atacado fisicamente pela mulher e que ela teria dito pertencer à facção Comando Vermelho.
Na versão apresentada pelo suspeito, ele ficou exaltado durante a discussão e golpeou Mirela com uma faca. Depois, teria corrido e se escondido no corredor externo da residência.
A faca apontada como utilizada no crime foi localizada pela perícia no mesmo local onde Carlo estava escondido.
Uma equipe de pronto atendimento esteve no imóvel e constatou a morte de Mirela. O local foi isolado até a chegada da Polícia Civil e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Prisão preventiva
Carlo passou por audiência de custódia na segunda-feira (7), quando a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva. Após a decisão judicial, ele foi encaminhado para a Penitenciária Doutor Osvaldo Florentino Leite Ferreira, o Presídio Ferrugem, em Sinop (MT).
Apesar de ter relatado aos policiais uma suposta discussão com Mirela, as motivações do crime ainda não foram esclarecidas.
O suspeito permaneceu em silêncio e não explicou o que teria levado à morte da jovem.
Histórico de agressão
Segundo a Polícia Militar, Carlo já havia sido preso anteriormente por agressão contra uma mulher. Em julho de 2026, ele foi detido por uma ocorrência registrada pela Justiça como lesão cometida em razão da condição de mulher.
No dia 19 de julho, passou por audiência de custódia e recebeu liberdade provisória. Mesmo com a soltura, o processo continuou em andamento.
O Ministério Público apresentou manifestação e novas intimações foram realizadas nos dias seguintes. Em agosto, foram registrados os prazos das partes no processo.
Agora, a Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Mirela, incluindo a identidade e a possível participação do homem que aparece nas imagens de segurança.
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