calor e falta de chuva colocam safra de grãos em risco no Brasil

A partir da primeira quinzena de junho, secas mais severas, chuvas intensas e ondas de calor podem voltar a ganhar força principalmente na região Centro-Oeste do país, com a chegada do fenômeno climático El Niño, como alerta a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Além da saúde humana, esses fatores podem atingir diretamente o plantio da próxima safra de grãos principalmente na região Centro-Oeste, como explica a meteorologista Josélia Pegorim. Veja abaixo:

O El Niño ainda está em desenvolvimento e por isso não tem forte impacto climático até o momento. Mas, ele já deve ser sentido com maior força no final do inverno, a partir do dia 21 de junho, e durante as estações da primavera e verão.

Além do aumento da temperatura, que pode chegar na casa dos 40°C, a combinação com a falta ou irregularidade das chuvas pode impedir a germinação das sementes durante o plantio da safra 2026/27 de grãos, como explica Josélia.

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“Pode ocorrer o plantio e não ter chuva para sustentar a germinação. E aí com o calor muito intenso, acaba perdendo a semente. Então, é preciso ter muita atenção com as primeiras chuvas da primavera pois elas podem ser enganosas”

— Josélia Pegorim, meteorologista

Apesar da previsão e alerta em relação ao plantio de grãos, a seca que atinge importantes regiões produtoras do país pode aumentar a procura pelo milho mato-grossense na safra 2025/26, como avalia o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Segundo o instituto, estados como Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo enfrentam condições climáticas adversas que comprometem o potencial produtivo das lavouras. Diante desse quadro, Mato Grosso deve ganhar relevância no abastecimento do mercado nacional.

El Niño pode afetar plantio da próxima safra de grãos no país, alerta meteorologista. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Entenda o El Niño

O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, na faixa próxima à Linha do Equador. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e interfere diretamente no regime de chuvas e nas temperaturas em várias partes do planeta.

E então, conforme o calor vai sendo transportado para atmosfera, por meses seguidos, os ventos e a pressão atmosférica ficam com um padrão diferente do normal, em várias partes do planeta. Esses fatores mudam a quantidade de chuva e modificam a temperatura do ar.

No Brasil, o fenômeno costuma trazer mais chuva para a região Sul e maior seca na Amazônia e Nordeste. No Sudeste e no Centro-Oeste, a tendência é de chuvas irregulares e temperaturas acima do normal, com possibilidade de sucessivas ondas de calor, principalmente durante a primavera e o verão, segundo previsão da Agência Climatempo.

O último El Niño trouxe consequências que ainda estão na memória dos brasileiros, como a seca histórica na Amazônia, enchentes no Rio Grande do Sul e aumento dos incêndios florestais.

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