Dor nas pernas, sensação de peso, inchaço frequente, hematomas que aparecem com facilidade e gordura localizada que não desaparece mesmo com dieta e exercícios. Para muitas mulheres, esses sinais são tratados por anos como uma questão estética, mas podem indicar uma doença crônica ainda pouco diagnosticada: o lipedema.
O lipedema é uma condição que provoca acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas, coxas, quadris e, em alguns casos, nos braços. A doença atinge majoritariamente mulheres e pode causar dor, sensibilidade ao toque, cansaço, limitação de movimentos e impacto direto na autoestima.
Apesar de ser confundido com obesidade, retenção de líquido ou linfedema, o lipedema tem características próprias. Uma delas é a desproporção entre a parte superior e inferior do corpo. Em muitos casos, pés e mãos não são atingidos, mesmo quando pernas e braços apresentam aumento de volume.
Durante o Junho Roxo, mês de conscientização sobre essa condição, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sintomas e buscar avaliação médica. O Dia Mundial de Combate ao Lipedema é lembrado em 11 de junho.
Segundo a médica Ana Flávia Andrade, de Ribeirão Preto, o diagnóstico precoce é essencial para controlar os sintomas e evitar a progressão da doença.
“O lipedema ainda é subdiagnosticado, mas a medicina tem avançado muito nesta área. Participar de um congresso mundial nos permite trazer para Ribeirão Preto o que existe de mais moderno em conhecimento, diagnóstico e qualidade de tratamento para as pacientes”, destaca.
Quais são os principais sintomas?
Entre os sinais mais comuns estão dor nas pernas, sensação de peso, inchaço, sensibilidade ao toque, hematomas frequentes, acúmulo de gordura em regiões específicas e dificuldade para perder medidas nessas áreas, mesmo com mudanças na alimentação e prática de exercícios.
A doença também pode piorar em fases de alteração hormonal, como puberdade, gravidez e menopausa. Por isso, muitas mulheres relatam que os sintomas começaram ou se intensificaram nesses períodos.
“Muitas mulheres passam anos ouvindo que aquilo é apenas obesidade, retenção de líquido ou falta de atividade física. O lipedema é uma doença real, progressiva e que precisa de acompanhamento especializado. Quanto antes houver diagnóstico, melhores são as chances de controle dos sintomas e melhora na qualidade de vida”, explica Dra. Ana Flávia.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, feito a partir da avaliação dos sintomas, histórico da paciente e exame físico. O médico observa a distribuição da gordura, a presença de dor, sensibilidade, hematomas e a desproporção corporal.
Como a doença pode ser confundida com outras condições, o acompanhamento com profissional especializado é importante para indicar o tratamento correto.
Tem cura?
Essa doença não tem cura definitiva, mas tem tratamento. O objetivo é controlar os sintomas, reduzir dor e inchaço, melhorar a mobilidade e evitar a evolução do quadro.
O tratamento costuma envolver uma abordagem multidisciplinar, com orientação médica, acompanhamento nutricional, atividade física adequada, uso de meias ou roupas de compressão, drenagem linfática, cuidados com a pele e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos, como a lipoaspiração específica para essa condição.
A escolha do tratamento depende do estágio da doença e das condições de cada paciente. Por isso, a recomendação é evitar soluções genéricas e procurar avaliação individualizada.
Como parte das ações do Junho Roxo, Ribeirão Preto recebe no dia 27 de junho o evento “Lipedema Ribeirão”, gratuito e aberto à população. A programação será realizada no Parque Curupira, das 9h às 12h, com atividades de informação, acolhimento e conscientização sobre a doença.
-
Fretes para 27,6 mil toneladas de milho são contratados em leilão nesta quarta-feira
-
Corpus Christi é feriado nacional? Entenda as regras para quem vai trabalhar