Bombeiros alertam para riscos com fogos de artifício no período junino e de estiagem em MT

A chegada da temporada de festividades tradicionais e o avanço do período de estiagem acenderam o alerta das autoridades de salvamento para os riscos de sinistros urbanos e rurais. O uso seguro de fogos de artifício voltou a ser tema de uma ampla campanha de orientação institucional do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT). O comunicado oficial visa mitigar o crescimento estatístico de queimaduras severas, amputações e incêndios florestais provocados pelo manuseio incorreto de pirotecnia durante as festas juninas e celebrações esportivas.

Historicamente, o trimestre que compreende o meio do ano registra um adensamento no consumo desses artefatos explosivos. Contudo, a combinação entre falhas humanas na ignição e as condições climáticas severas do estado amplifica o potencial destrutivo dos rojões, exigindo da população uma postura de extrema cautela para salvaguardar a integridade física e o patrimônio coletivo.

Manuseio inadequado de rojões lidera causas de traumas graves

De acordo com o capitão BM Wolf Tarik Souza Gomes, a espinha dorsal da prevenção reside no cumprimento irrestrito das instruções técnicas de segurança estampadas nas embalagens dos fabricantes. O oficial destacou que um dos erros mais comuns e perigosos cometidos pela população é o hábito de segurar os fogos de artifício com as mãos no momento da ignição. Caso o material apresente vício de fabricação ou retardo na explosão, a detonação ocorre diretamente contra o membro do usuário.

A engenharia médica de emergência do CBMMT adverte que acidentes dessa natureza resultam em lesões irreversíveis, que vão desde queimaduras de terceiro grau até a perda de falanges ou amputações completas de membros, além de traumas auditivos e visuais decorrentes da proximidade com a deflagração da pólvora.

Baixa umidade do ar acelera propagação de incêndios por fagulhas

Outro vetor crítico apontado pelos analistas de risco do Corpo de Bombeiros é a correlação direta entre o uso seguro de fogos de artifício e a proteção dos biomas locais. O estado ingressa em seu ciclo anual de estiagem severa, caracterizado por massas de ar seco que derrubam os índices de umidade relativa do ar a patamares alarmantes e ressecam a vegetação rasteira. Sob essas condições meteorológicas, qualquer fagulha ou resto de material inflamável projetado por fogos de artifício pode dar início a incêndios de grandes proporções.

Para blindar o meio ambiente e evitar o acionamento desnecessário das equipes de combate, os bombeiros listaram os perímetros onde o uso de pirotecnia é terminantemente proibido ou desaconselhável:

  • Áreas de pastagens, matas nativas ou capoeiras com vegetação seca;
  • Zonas de amortecimento e perímetros internos de Unidades de Conservação;
  • Pátios logísticos, indústrias e depósitos voltados ao armazenamento de combustíveis ou produtos químicos;
  • Terrenos baldios inseridos em perímetros urbanos e margens de rodovias federais ou estaduais.

Uso de pirotecnia silenciosa protege autistas e animais contra crises

Além dos parâmetros de segurança física e ambiental, a corporação endossou as recomendações de saúde pública que incentivam a substituição de rojões tradicionais por fogos de artifício de baixo ruído ou totalmente sem estampido (visuais). A diretriz visa resguardar o bem-estar de grupos vulneráveis que possuem hipersensibilidade auditiva, como pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), bebês, idosos e enfermos internados em redes hospitalares.

Médicos veterinários e especialistas em comportamento animal reforçam que o barulho intenso dos rojões desencadeia crises severas de pânico e estresse em cães e gatos, resultando em fugas, atropelamentos, convulsões e paradas cardiorrespiratórias. A transição para a pirotecnia silenciosa tem sido amplamente amparada por legislações municipais modernizadas.

Em cenários de emergência envolvendo queimaduras ou focos de incêndio gerados por fogos, o CBMMT orienta a isolar o local e acionar imediatamente a central de socorro pelo telefone de urgência 193 em Mato Grosso.

Reportagem baseada em notas de orientação técnica do Comando-Geral do CBMMT, tabelas de incidência de queimaduras do SUS e boletins meteorológicos de monitoramento da estiagem.

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