Subsecretaria de Políticas para a Mulher (SEMU), Secretaria de Estado da Cidadania (SEC), Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP), Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul (DPGE), Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) assinaram, nesta sexta-feira (29), uma carta de intenções para fortalecer ações voltadas ao combate a violência doméstica e do feminicídio em Campo Grande.
A assinatura do documento ocorreu durante o Fórum “Destinos Roubados”, realizado no auditório da TV Morena e que foi transmitido ao vivo pelo Primeira Página. A carta de intenções prevê acompanhamento das medidas ao longo de 2026.
A equipe da TV Morena ficará responsável por monitorar o andamento das ações e cobrar das instituições a execução dos compromissos assumidos durante o fórum.
As intenções
- 1. Manter e Fortalecer canais de comunicação e cooperação entre os diversos órgãos e entidades que compõe a rede de proteção da Mulher.
- 2. Contribuir para a formulação e execução de planos e projetos que abordem de forma sistêmica os desafios do combate a qualquer forma de violência contra mulher.
- 3. Apoiar e participar de campanhas educativas de conscientização voltados para ao combate à discriminação de gênero.
- 4. Contribuir para a manutenção de sistemas de informação que permitam o monitoramento, a análise e a divulgação de dados sobre a situação da violência contra a mulher.
- 5. Estimular a pesquisa, o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias e metodologias inovadoras que possam avançar nas políticas públicas para as mulheres
Confira a carta de intenções na íntegra:

“Muitas mulheres não se reconhecem como vítimas, elas não entendem que elas estão no relacionamento abusivo e quando descobrem já está em um estágio muito alto, porque a violência tem o escalonamento para chegar até o feminicídio”.
Maria Angélica Fontanari, secretária executiva da mulher – Semu/CG
“Os sinais eles são muito sutis, eles começam de forma imperceptível naquele momento em que a mulher ainda tudo tá indo bem, mas ele começa a controlar, ele começa a perguntar quem para quem que ela tá ligando, com quem ela tá conversando. Depois vem uma humilhação, vem uma ridicularização, vem o ciúme excessivo, que é muito comum ser confundido com amor, com cuidado, com proteção”.
Clarissa Carlotto Torres, promotora de justiça e coordenadora do Nevid
“Essa faixa de até 19 anos né? As mulheres entrevistadas pelo uma pesquisa realizada pelo Observatório da Mulher no Senado, eh, em parceria com Datafolha, revela que até 19 anos uma mulher vítima de violência doméstica que foi entrevistada revelou que sofreu a primeira vez o algum tipo de violência de gênero. E essa esse essa esse contexto também de suicídio, de ameaça, é o enredo de um modelo patriarcal de controle historicamente imposto às mulheres”.
Manuela Nicodemos Bailosa, subsecretária de políticas públicas para as mulheres
“Hoje temos um aparato completo lá dentro da casa. A mulher quando chega lá ela tem todo o acompanhamento psicossocial, o o transporte, a medida protetiva.”
Iacita Terezinha Rodrigues de Azamor Pionti, coord. mun. da Casa da Mulher Brasileira
“Se nós preconizamos que o nosso atendimento tem seja acolhedor e humanizado, nós temos que começar esse atendimento pelo respeito. A palavra da mulher, se viva estiver, e a memória da mulher no na questão da investigação do feminicídio”.
Carla Charbel Stephanini, coord. estadual da Casa da Mulher Brasileira
“E nós vamos chegar a 97% de cobertura em todo o estado com atendimento especializado. A cidade que não tem hoje uma delegacia da mulher, de atendimento à mulher no interior, ela vai receber uma sala lilás”.
Tiago Macedo dos Santos, superintendente de Segurança Pública
Familiares de vítimas deram fortes relatos
Além dos representantes dos mais diversos órgãos de segurança pública, o encontro também reuniu vítimas de violência doméstica e familiares de vítimas de feminicídio registrados em Campo Grande. Mãe da jornalista Vanessa Ricarte, Maria Madalena Ricarte emocionou os participantes ao lembrar da filha e cobrar leis mais severas contra feminicidas. Leia aqui.
Patrícia da Silva Leite, mãe de outra vítima de feminicídio na Capital, também usou o exemplo da própria filha para alertar que a chantagem emocional é um dos sinais de relacionamentos abusivos. Veja aqui.
Reveja o Fórum “Destinos Roubados” no link abaixo.