A necessidade de universalizar o rastreamento biológico de recém-nascidos e reduzir o tempo de resposta para o tratamento de patologias congênitas mobilizou a comunidade médica e política do estado.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em cooperação técnica com o Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM-UFMT), sediou nesta quinta-feira (11 de junho de 2026) a 2ª Semana da Triagem Neonatal e o 3º Encontro Mato-Grossense de Triagem Neonatal.
O fórum técnico reuniu secretários de saúde, pediatras, enfermeiros e sanitaristas de 93 municípios mato-grossenses. O foco central dos painéis foi desenhar estratégias para otimizar a logística de envio de amostras de sangue e assegurar o cumprimento das diretrizes do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) do SUS.
Busca ativa e desafios da cobertura territorial
O grande gargalo debatido pelos especialistas não é a falta de pontos de coleta, mas sim o absenteísmo e o monitoramento pós-alta das puérperas. Atualmente, Mato Grosso conta com uma rede descentralizada composta por 757 postos de coleta cadastrados em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e maternidades.
Para que o teste do pezinho tenha eficácia máxima e evite sequelas neurológicas ou metabólicas irreversíveis, o sangue do calcanhar do bebê deve ser coletado idealmente entre o 3º e o 5º dia de vida. Diante disso, o encontro propôs duas frentes de ação imediata para as secretarias municipais:
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Integração de Sistemas: Cruzamento de dados em tempo real entre o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e as salas de vacina e teste do pezinho;
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Busca Ativa Institucional: Acionamento imediato dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) sempre que um recém-nascido de alto risco não comparecer à UBS para realizar o exame na primeira semana após o parto.
Mapeamento epidemiológico e escala de natalidade
A urgência em blindar a rede de rastreamento foi respaldada pelas estatísticas demográficas de Mato Grosso. Dados oficiais consolidados apresentados pelo HUJM apontam que mais de 57 mil bebês nasceram no território mato-grossense ao longo do ano de 2025.
O volume exige que o laboratório de referência do Hospital Júlio Müller — que processa as amostras do estado — opere com alta previsibilidade de insumos e reagentes. O diagnóstico precoce por meio da triagem neonatal é a única ferramenta capaz de rastrear de forma precoce disfunções graves antes da manifestação dos primeiros sintomas clínicos, tais como:
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Fenilcetonúria e Hipotireoidismo congênito;
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Anemia falciforme e outras hemoglobinopatias;
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Fibrose cística, Hiperplasia adrenal congênita e Deficiência de biotinidase.
Ao término das plenárias, os gestores assinaram uma carta de intenções para aprimorar o treinamento contínuo das equipes de enfermagem na técnica de coleta do papel-filtro, diminuindo o índice de amostras rejeitadas por contaminação, o que muitas vezes atrasa a entrega do laudo definitivo para as famílias.
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