O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) recuou e decidiu, nesta quinta-feira (30), recontratar os 56 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) demitidos no mês passado, em Cuiabá.
A decisão ocorreu durante reunião com a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e representantes da categoria, no Palácio Paiaguás.
Ao todo, 56 profissionais do Samu, o equivalente a cerca de 30% do quadro, foram demitidos, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma). Conforme o sindicato, as demissões poderiam impactar o atendimento da população.
O Estado alegou que estava fazendo uma integração com profissionais do Corpo de Bombeiros, que também atuam no resgate.
“O que nós temos é a disposição de oferecer também esse serviço através do Corpo de Bombeiros. E isso não prejudica. Somos complementares. Se alguém de vocês achar melhor ir para o Corpo de Bombeiros, está livre para isso também”, disse o governador na reunião com os profissionais.
A negociação com a categoria ocorreu após uma reunião extraordinária da Comissão com o diretor do departamento de atenção hospitalar, domiciliar e de urgência do Ministério da Saúde, Fernando Augusto Marinho, nessa terça-feira (28).
“Graças à sensibilidade do governador, ele recontratou todos os servidores e, inclusive, abriu uma porta de diálogo. Nós, do sindicato, sentimos que o governador está pensando na população. Também somos parceiros para o melhor da população”, explicou Carlos Mesquita. Veja vídeo:
Durante a reunião, o representante do Ministério da Saúde, Fernando Augusto Marinho, afirmou, com base em um relatório, que a decisão de trocar o Samu pelo Corpo de Bombeiros “não é crível”.
“É razoável o governo do Estado achar que o governo federal deveria financiar mais [o Samu]. Agora, ampliar o atendimento para o Corpo de Bombeiros é a certeza de que não tem nenhum recurso do governo federal. É mais dinheiro do contribuinte de Mato Grosso sem nenhuma contrapartida do governo federal”, afirmou.
O novo secretário da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), Juliano Melo, chegou a anunciar que não faria a recontratação dos profissionais.
“Hoje nós nem precisamos dos 56. O processo seletivo realizado pelos bombeiros incluiu esses 56 candidatos, dos quais a maior parte foi aprovada. Conforme a necessidade desse fluxo nas bases, eles vão ser convocados”, afirmou em coletiva.
Segundo a pasta, o Estado estava promovendo uma integração com o Corpo de Bombeiros e que o corte não faria diferença no atendimento à população.
Leia a nota na íntegra:
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informa que os desligamentos não vão impactar o atendimento à população. Desde a integração das ações do Serviço de Atendimento Pré-Hospitalar, prestado pelo Samu e pelo Corpo de Bombeiros (CBMMT), em 2025, os números de atendimentos aumentaram em 30% e o tempo-resposta às chamadas diminuiu em 36%.
Vale lembrar que antes da integração com o Corpo de Bombeiros eram 9 ambulâncias para atendimento do Samu em Cuiabá, após a parceria esse número saltou para 20 ambulâncias, o que comprova que a prestação do serviço não será impactada.
-
CRM questiona integração do Samu com Corpo de Bombeiros em MT
-
Comitiva do Ministério da Saúde vistoria Samu em Cuiabá após demissões
-
Ambulância não entra e Samu atende idosa a pé em rua intransitável
-
Pivetta anuncia reunião com Samu e Corpo de Bombeiros em Cuiabá
-
Ministério da Saúde entra no debate sobre futuro do Samu após risco de demissões em MT