A Petrobras retomou a produção de ureia na fábrica da Araucária Nitrogenados (Ansa), na região metropolitana de Curitiba, após seis anos de paralisação. A reativação da unidade ocorreu nesta quinta-feira (30) e integra a estratégia da estatal para ampliar a oferta doméstica de fertilizantes e reduzir a dependência do mercado externo.
O movimento ocorre em um cenário em que o Brasil ainda importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome. A dependência causou impacto no setor do agronegócio, que sentiu no bolso a alta de preços e restrições de oferta provocadas por conflitos internacionais.
Paralisada desde 2020 por operar com prejuízo, a Ansa passou por um processo de reestruturação que incluiu investimentos de R$ 870 milhões, além de manutenção, inspeções técnicas e recomposição de equipes.
A unidade tem capacidade para produzir até 720 mil toneladas de ureia por ano, o equivalente a cerca de 8% do consumo nacional, além de amônia e Arla 32, insumo utilizado para reduzir emissões de veículos a diesel.
Plano de retomada
A retomada faz parte de um plano mais amplo da Petrobras para fortalecer sua atuação no setor de fertilizantes. Nos últimos meses, a companhia também reativou unidades na Bahia e em Sergipe, o que deve elevar sua participação no mercado interno de ureia para cerca de 20%.
Além disso, a estatal segue com a construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), com previsão de início das operações em 2029. Com o novo projeto, a previsão é que a participação da Petrobras no mercado nacional pode chegar a 35%.
A reativação da fábrica também teve impacto no mercado de trabalho, com a geração de mais de 2 mil empregos durante a fase de preparação e cerca de 700 postos previstos para a operação regular. A unidade utiliza gás natural como principal matéria-prima e está localizada ao lado da Refinaria Presidente Getúlio Vargas.
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