A comissão de ministros enviada para Mato Grosso do Sul após denúncias de ameaças de envenenamento contra indígenas no estado visitou, na manhã deste sábado (31), a Aldeia Taquapery, em Coronel Sapucaia, e ouviu os relatos de violência contra as comunidades da região. Durante os discursos, os representantes do Governo Federal garantiram que acompanham a situação de perto e que vão atuar de maneira efetiva para a proteção dos povos indígenas no país.
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Lula envia três ministros a MS após ameaças contra indígenas
Os ministros Eloy Terena, dos Povos Indígenas, Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania, e a deputada federal Sonia Guajajara foram até de helicóptero até a aldeia e desembarcaram pouco antes das 9h30.
A comitiva foi recebida pelo cacique Osmar, que relatou o histórico de violência contra o povo Guarani Kaiowá na região, entre eles, ameaças de atropelamentos e agressões contra os moradores da aldeia.
A primeira a falar foi a deputada Sonia Guajajara, ex-ministra dos Povos Indígenas. No discurso, ela revelou que as ameaças contra os povos originários pelo país se intensificaram após o 2º turno das eleições e a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ela, já foram registrados mais de 100 casos de ameaças e racismo contra indígenas no Brasil.
“Nós vamos aqui apurar todos esses fatos, todas essas ameaças, junto com as forças de segurança que estão aqui, a Polícia Federal, a Força Nacional está para poder garantir essa presença aqui na região, e assim a gente buscar responsabilização por todos esses crimes. Seja por ameaça, seja por assassinatos, seja por crime de racismo, que segue acontecendo aqui em Mato Grosso do Sul, mas que também, neste momento, aumentou em todo o Brasil. A gente já apurou mais de cem casos de ameaças e racismo destilados contra povos indígenas.”
Sonia Guajajara
A afirmação foi confirmada pela ministra Janine Mello, que afirmou que outras regiões do país também tiveram registros de ameaças depois das eleições e, por isso, uma força-tarefa foi montada para controlar a situação.
“Estamos vivendo um momento de crescimento enorme dos casos de atos de violência por causa das eleições e da vitória do presidente Lula. Nós precisamos garantir a proteção de todas as pessoas do nosso país e dos povos indígenas.”
Janine Mello
O ministro Eloy Terena reforçou que, desde o momento em que as ameaças de envenenamento da água das aldeias chegaram ao conhecimento do Governo Federal, atitudes foram tomadas para evitar qualquer tipo de ataque aos indígenas.
Ele reforçou que, ainda na segunda-feira (26), a pedido dos ministros, o Ministério Público Federal iniciou investigação das ameaças e a Força Nacional foi enviada para reforçar a segurança de toda a região.
“Nos primeiros depoimentos de ameaças e violência política, nós tomamos as providências. Os ministros conversaram e nós montamos essa força-tarefa com equipes dos ministérios que estão dedicados a receber essas denúncias. Os primeiros ofícios saíram na segunda-feira e, na terça-feira, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal já tinham instaurado inquérito”.
Eloy Terena
Eloy Terena também garantiu que a força-tarefa está alinhando medidas efetivas de proteção com o Governo de Mato Grosso do Sul.
A visita a Mato Grosso do Sul ainda deve contar com uma coletiva de imprensa em Dourados e com a ida da ministra Janine Mello até a Aldeia Sassoró, em Tacuru, local em que as ameaças de envenenamento de fato aconteceram.

Entenda as ameaças
A mobilização nacional ocorre após a divulgação de áudios com ameaças contra moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul. As gravações começaram a circular após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em grupos de WhatsApp.
Em uma das falas atribuídas a um servidor da prefeitura de Tacuru, que não teve o nome divulgado, há referência à possibilidade de colocar veneno na água consumida pelos indígenas. “Tem que matar essas pragas na água”, em referência aos moradores da comunidade.
Dois funcionários da Prefeitura de Tacuru foram afastados dos cargos por envolvimento nas ameaças. Conforme apurado pela reportagem, um deles atuava como motorista e o outro na coleta de resíduos do município. Os dois devem responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Segundo o procurador-geral do município de Tacuru, Clederson Lopes, nenhum dos dois suspeitos atua no abastecimento de água das aldeias. “Reforçou que tais servidores não fazem parte de qualquer relação com abastecimento de água; e que o município está aberto a esclarecimentos das esferas do poder público.”
Até o momento, não há comprovação de que a água consumida pelos moradores tenha sido contaminada.
Providencias
Entre as providências anunciadas pelo governo federal estão o reforço da segurança nas comunidades, a atuação da Força Nacional e a abertura de inquéritos para investigar os episódios.
A Força Nacional já começou a fazer patrulhamento em três comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. As equipes estão nas comunidades Sassoró, em Tacuru, Taquapery e Limão Verde.
Reuniões por segurança
Enquanto parte da comitiva visitava a aldeia, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, se reuniu com a secretária Nacional de Acesso a Justiça, Sheila de Carvalho, e com o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Fernando Oliveira, além de representantes da Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública, Força Nacional, Polícia Civil e Polícia Militar, sobre o trabalho de proteção das comunidades indígenas do estado.
Detalhes ainda não foram divulgados.