Antes da prisão, missionária investigada por suposta ligação com Comando Vermelho canta louvor e publica vídeo nas redes sociais; veja

A missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, presa preventivamente na Operação Fariseus, publicou um vídeo cantando um louvor poucas horas antes de ser alvo da Polícia Civil, na noite dessa quarta-feira (15). Ela é investigada por integrar um grupo que, segundo as investigações, usava um projeto religioso para dar apoio operacional e financeiro ao Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso.

A prisão ocorreu na manhã desta quinta-feira (16), durante a operação deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

Missionária publicou vídeo cantando louvor horas ante de ser presa. – Foto: Instagram/Reprodução

Nas redes sociais, Rhavenna se apresentava como designer de sobrancelhas e integrante do projeto religioso Resgatando Vidas, que realizava ações de evangelização junto a detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Para a Polícia Civil, porém, as atividades iam além da assistência religiosa.

Segundo as investigações, ela mantinha relacionamento próximo com integrantes do Comando Vermelho, frequentava comunidades dominadas pela facção no Rio de Janeiro e participava de encontros com criminosos de alta hierarquia.

A defesa de Rhavenna informou que não teve acesso aos documentos da investigação e que não irá se manifestar no momento.

Vídeo foi publicado antes da operação

A gravação feita por Rhavenna horas antes de ser presa ganhou repercussão após a divulgação da operação policial. Assista abaixo:

De acordo com os investigadores, a jovem seria uma das pessoas mais próximas de Jonas Souza Garcia Júnior, conhecido como “Batman”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele está foragido desde 2024, após romper a tornozeleira eletrônica durante o cumprimento de pena em regime mais brando.

A Polícia Civil afirma ainda que Rhavenna mantinha um relacionamento amoroso com o criminoso. Fotografias obtidas durante a investigação mostram os dois juntos.

Fotos mostram investigada com armas e integrantes da facção

Rhavenna, o pai e Jonas Souza Garcia Júnior, conhecido como “Batman”. - Foto: Reprodução
Rhavenna, o pai e Jonas Souza Garcia Júnior, conhecido como “Batman”. – Foto: Reprodução

Entre as provas reunidas pela investigação estão fotografias e vídeos feitos em comunidades do Rio de Janeiro. Nas imagens, Rhavenna aparece ao lado de pessoas apontadas como integrantes do Comando Vermelho e, em alguns registros, segurando armas de fogo. Também há fotografias em que ela aparece ao lado de criminosos considerados foragidos da Justiça.

Segundo a Polícia Civil, esses registros reforçam a ligação da investigada com membros da organização criminosa.

Pais também são investigados

Rhavena e os pais Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida. - Foto: Reprodução
Rhavena e os pais Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida. – Foto: Reprodução

A Operação Fariseus também teve como alvos os pais de Rhavenna, Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, ambos pastores evangélicos. Contra o casal foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Eles não foram presos.

Conforme o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, os investigadores identificaram que o casal utilizava o prestígio conquistado por meio do trabalho religioso para favorecer interesses da facção. A suspeita é de que o projeto Resgatando Vidas servia para facilitar a entrada em presídios, transmitir recados entre detentos e pessoas em liberdade, intermediar contatos e manter a comunicação de lideranças criminosas.

Polícia apura lavagem de dinheiro

Além do apoio operacional à organização criminosa, a investigação aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

A Polícia Civil apura se contas bancárias de familiares e terceiros eram utilizadas para receber e pulverizar depósitos enviados por integrantes da facção, dificultando o rastreamento dos recursos.

Segundo os investigadores, parte do dinheiro teria sido usada para custear viagens frequentes ao Rio de Janeiro, compra de veículos e procedimentos estéticos.

Operação Fariseus

Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilo e recolhimento de aparelhos eletrônicos.

A Justiça também determinou a suspensão temporária da autorização para que os investigados ingressem em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.

Rhavenna é investigada pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada envolvido e identificar outros possíveis integrantes do esquema.

O Primeira Página tenta localizar a defesa dos demais citados. O espaço permanece aberto para manifestação.

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