Antes da colheita, agro precisa formar pessoas e novos líderes no campo

O crescimento do agronegócio trouxe novos desafios para dentro das fazendas. Além de investir em máquinas e tecnologia, produtores precisam lidar com uma questão mais estratégica: formar pessoas capazes de acompanhar a evolução do setor. A preparação de equipes, o desenvolvimento de lideranças e a profissionalização da gestão são os temas do novo episódio do podcast Agro de Primeira MT, que recebe a administradora de empresas e gestora de recursos humanos, Michele Link Botan.

Durante a entrevista Michele conta que acompanha uma transformação que acontece nos bastidores das propriedades rurais: a mudança de uma cultura baseada apenas na execução das tarefas para um modelo que exige planejamento, comunicação e desenvolvimento de profissionais.

Para ela, a próxima grande safra do agro não será construída apenas com sementes, máquinas e tecnologia, mas também com pessoas preparadas para conduzir os negócios.

Acompanhe o episódio completo:

Fazendas deixaram de ser apenas áreas de produção

Quando se fala em uma fazenda moderna, a imagem mais comum ainda está associada às lavouras, colheitadeiras e grandes estruturas produtivas. No entanto, por trás desse cenário existe uma operação complexa que envolve diferentes setores e centenas de profissionais.

Michele compara uma grande propriedade rural a uma pequena cidade, onde cada área precisa funcionar de forma integrada. Escritório, oficina, alojamentos, alimentação, manutenção de máquinas e operação no campo fazem parte de uma engrenagem que depende diretamente da gestão de pessoas.

“Quando a gente fala em fazenda, normalmente pensa na lavoura e na produção, mas existe todo um trabalho de gestão que acontece nos bastidores para que aquele resultado apareça”, explica a convidada.

Um dos principais desafios apontados pela gestora está na formação de novas lideranças dentro das próprias fazendas. Muitos profissionais que acumulam anos de experiência acabam assumindo cargos de comando pelo conhecimento adquirido na rotina, mas nem sempre tiveram preparação para liderar pessoas.

“Muitas vezes a pessoa estava ali para executar e, de repente, passa a liderar uma equipe. Só que ela não esperava por isso e não estava preparada. É preciso desenvolver habilidades e mostrar que ela é capaz”, afirma.

A profissional destaca que liderança não deve ser vista apenas como uma característica nata, mas como uma habilidade que pode ser construída com capacitação e acompanhamento.

Retenção de trabalhadores vai além do salário

Com a expansão do agronegócio, a disputa por profissionais qualificados aumentou. Mas, segundo Michele, manter uma equipe vai além de oferecer uma boa remuneração. Relacionamento, ambiente de trabalho, reconhecimento e oportunidades de crescimento passaram a ter peso na decisão dos trabalhadores de permanecerem em uma propriedade.

“O salário é importante, mas ele não é o único fator. Quando uma pessoa encontra um ambiente onde é valorizada e percebe que faz parte daquele resultado, isso cria uma conexão maior”, afirma.

Outro fator destacado pela gestora é a proximidade da liderança com a equipe. Segundo Michele, estar presente no dia a dia da fazenda ajuda a entender as necessidades dos colaboradores e construir uma cultura organizacional mais forte.

No novo episódio do Agro de Primeira MT, Michele Botan ainda fala sobre valorização dos trabalhadores, presença da mulher no campo e caminhos para preparar as fazendas para uma nova geração de gestores.

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