Mesmo após conseguirem na Justiça uma Medida Protetiva de Urgência (MPU), sete mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso em 2025. Ao mesmo tempo, o estado registrou um aumento de 31,6% nos casos de perseguição (stalking) contra mulheres, passando de 2.221 ocorrências em 2024 para 2.970 no ano seguinte. Os dados constam no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).
O levantamento mostra que Mato Grosso integra um cenário preocupante em todo o país. Entre os 18 estados que informaram dados sobre medidas protetivas, 70 mulheres foram assassinadas enquanto possuíam proteção judicial ativa. Esse grupo representa 8,8% dos feminicídios registrados nessas unidades da federação. Em Mato Grosso, foram sete casos.
Além dos feminicídios, o estado apresentou forte crescimento nos registros de perseguição, crime previsto no artigo 147-A do Código Penal. O número de ocorrências saltou de 2.221 para 2.970 em apenas um ano, um aumento de 31,6%, percentual superior ao avanço nacional desse tipo de crime.
Outro indicador que chamou atenção foi o de violência psicológica contra a mulher. Mato Grosso registrou 3.720 ocorrências em 2025, frente a 2.151 no ano anterior, crescimento de 70,3%. A taxa chegou a 192,3 casos por 100 mil mulheres, a segunda maior do Brasil, atrás apenas de Roraima.
-
Feminicídios batem recorde e medida protetiva é violada a cada 4 minutos no Brasil
-
Venezuelana é morta com fio elétrico em Cuiabá; ex-marido é procurado como suspeito
O Anuário destaca que crimes como perseguição e violência psicológica costumam anteceder agressões físicas mais graves e, em muitos casos, o feminicídio. Os dados reforçam a importância das medidas de prevenção, do acompanhamento das vítimas e da fiscalização do cumprimento das decisões judiciais.
Em âmbito nacional, os registros de violência contra a mulher continuaram em alta. O Brasil contabilizou 123.871 ocorrências de stalking, aumento de 30,1% em relação ao ano anterior, além de 60.830 registros de violência psicológica, crescimento de 16,9%. O país também registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4% sobre 2024.

Um dos casos registrados de mulheres com medida protetiva, porém, em 2026, em Mato Grosso foi o da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, assassinada a tiros em junho de 2025, no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. Segundo a Polícia Militar, o principal suspeito foi o ex-marido, Paulo Neves Bispo, de 61 anos, contra quem a vítima possuía uma Medida Protetiva de Urgência.
De acordo com as investigações, ele invadiu a residência da professora, pulando o muro, e a matou enquanto ela tomava café. Após o crime, ainda tentou atacar uma das filhas do casal, que estava grávida, mas ela conseguiu se trancar em um quarto. O suspeito morreu pouco depois, ao ser baleado por um policial à paisana durante perseguição de moradores.