Alvos da operação Buraco Sem Fim continuam na cadeia e saem algemados do Fórum

Os sete presos na operação Buraco Sem Fim, que revelou um esquema de corrupção no serviço de tapa-buracos em Campo Grande, vão continuar na cadeia. A decisão foi dada pelo juiz Francisco Soliman durante audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira (13).

A informação foi confirmada pelo advogado Fábio de Melo Ferraz, responsável pela defesa de Erick Antônio Valadão de Paula e Fernando de Souza Oliveira, ex-servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

“Eles acabaram de passar por uma audiência de custódia onde foram verificadas as condições em que ocorreu a prisão, se foram garantidos os direitos constitucionais de cada um. A prisão foi mantida e agora nós vamos ter acesso ao processo para tomarmos as medidas judiciais cabíveis, né? Vamos estudar um pedido de revogação da prisão preventiva ou até um habeas corpus”.

Segundo o advogado, os dois clientes, assim como os outros presos, negam envolvimento no esquema revelado pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). “Eles foram surpreendidos com essa medida e não sabem por que estão participando dessa operação.”

Além de Erick e Fernando, estão presos:

  • Rudi Fiorese (diretor-presidente da Agesul exonerado nesta quarta-feira)
  • Edivaldo Aquino Pereira (servidor da Sisep exonerado nessa terça-feira);
  • Mehdi Talayeh (servidor da Sisep exonerado nessa terça-feira)
  • Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa (filho);
  • Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa (pai);

Os sete presos deixaram o Fórum de Campo Grande algemados e foram levados para o Centro de Triagem, localizado no Complexo Penitenciário da capital, no Jardim Noroeste.

Rudi Fiorese, ex-chefe da Agesul, saindo da audiência de custódia (Foto: Eduardo Almeida)
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O que diz a defesa

Segundo o Ministério Público, a investigação que resultou na operação Buraco Sem Fim constatou a existência de uma organização criminosa que frauda, sistematicamente, a execução do serviço de tapa-buraco em Campo Grande, por meio da manipulação de medições e de pagamentos indevidos.

As investigações revelaram pagamentos públicos por serviços que não foram realizados, resultando no “enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”.

Ainda de acordo com o Ministério Público, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02.

De 2017 até janeiro de 2023, a Sisep era comandada por Rudi Fiorese e, por isso, ele é um dos principais alvos da operação.

Em nota, a defesa do ex-diretor da Agesul, feita pelo advogado Werther Sibut de Araujo, reforçou que a prisão é desproporcional e não condiz com a história construída por Rudi. Além disso, alegou que até agora não teve acesso ao processo e que isso prejudica o exercício da ampla defesa. Confira na íntegra:

Diante da repercussão acerca da “Operação Buraco Sem Fim”, deflagrada em 12.05.2026, a defesa de Rudi Fiorese esclarece que se trata de uma prisão preventiva.
Importa mencionar, de início, que a prisão é desarrazoada e não se coaduna com a história construída por Rudi, e parte do nosso papel é demonstrar sua conduta ilibada.
No entanto, o mais grave de momento é que, mesmo após mais de 24h da deflagração da operação e das prisões, até o presente momento não foi fornecido acesso aos autos às defesas. Isso impede o exercício da ampla defesa, gera risco de manutenção de prisões injustas e castra qualquer possibilidade de questionamento judicial da decisão que decretou a prisão. Objeções que aleguem problemas de sistemas operacionais não devem prevalecer às garantias constitucionais. A vedação de acesso aos autos, por si só, já imporia a imediata liberdade dos investigados.
De todo modo, reafirmamos nossa confiança na justiça e já antecipamos que a liberdade será perseguida pelos meios adequados.

Advogado Werther Sibut de Araujo

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