Uma mania que reaparece de quatro em quatro anos voltou a tomar conta de Cuiabá. O álbum de figurinhas da Copa do Mundo transformou praças, bancas e corredores de escolas em pontos de encontro entre crianças, pais e até desconhecidos em busca da próxima figurinha rara.
Mas, por trás da corrida para completar o álbum, muita gente descobriu algo maior do que o futebol: momentos em família, amizades e até oportunidades de negócio. “É bom sair de casa de vez em quando, deixar o celular de lado, trocar figurinha, conhecer gente nova, fazer amizade”, resume o estudante Miguel Frizo.
Para o estudante Arthur Paiva de Paula, a brincadeira também virou uma forma de aprender sobre empreendedorismo. Apaixonado pelas figurinhas, ele começou a vender chaveiros e porta-objetos produzidos em impressora 3D inspirados no álbum da Copa.
“A parte de abrir os pacotinhos é bem interessante. Você fica naquela esperança de conseguir uma figurinha rara. Quando consigo, já penso até em vender”, conta.
A iniciativa acabou envolvendo toda a família. A mãe dele, Elaine Paiva, afirma que o álbum representa muito mais do que apenas colecionar figurinhas.
“Muitos pais olham para o álbum só como figurinhas, mas isso cria memórias afetivas. A criança deixa um pouco a tela para brincar, interagir e conviver”, explica.

Em Cuiabá, a febre também mudou a rotina das bancas. Segundo o empresário Luiz Henrique Pereira de Malaquias, o movimento disparou desde o lançamento do álbum. “Sempre tivemos movimento, mas agora a banca fica cheia até a noite por causa das figurinhas”, relata.
Nas rodas de troca, pouco importa a idade. Crianças, adolescentes e adultos dividem o mesmo espaço negociando figurinhas repetidas e comemorando quando aparece aquela considerada rara.

Para muitos pais, o álbum acabou se tornando um respiro em meio ao excesso de telas e redes sociais. A médica Deborah Rondon Gonçales Schmitt conta que aproveita o momento para passar mais tempo ao lado do filho Caleb, de 6 anos. “É uma oportunidade de compartilhar algo que ele gosta muito. A gente participa junto, conversa, brinca e sai um pouco da internet”, diz.
E, sem perceber, muita gente acaba aprendendo cedo uma das primeiras lições da vida: ninguém completa um álbum sozinho. Sempre existe uma figurinha difícil, uma troca necessária e alguém disposto a ajudar.
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