UFMT aciona PF após denúncias de ameaças e comentários ofensivos contra alunas

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realizou, nesta sexta-feira (22), uma reunião com autoridades do campus, representantes da Polícia Federal e estudantes dos cursos de Direito e Engenharia Civil para tratar das medidas adotadas após denúncias envolvendo alunos da instituição. O encontro teve o objetivo de esclarecer os encaminhamentos já feitos e reforçar ações de segurança dentro da universidade.

Segundo a reitora, a UFMT acionou órgãos internos e externos assim que tomou conhecimento do caso. A denúncia apontava que estudantes teriam feito comentários de cunho sexual e ofensivo contra colegas mulheres, inclusive uma lista com possíveis vítimas estupráveis. O primeiro relato foi recebido pelo diretor da Faculdade de Direito, professor Carlos Eduardo, que comunicou a situação à administração da universidade.

Reunião da UFMT com a Polícia Federal. – Foto: Ianara Garcia

Conforme a reitoria, em um primeiro momento, a instituição ainda não tinha acesso a provas diretas, como aparelhos celulares ou outros materiais que comprovassem o crime. Por isso, os estudantes citados foram convocados a prestar esclarecimentos. Um deles, no entanto, não compareceu dentro do prazo de 48 horas.

No dia seguinte, um homem que se apresentou como pai de um dos alunos esteve próximo às salas de aula e, segundo a universidade, fez ameaças verbais a estudantes que defendiam a instituição e as colegas mulheres. Imagens do local foram coletadas, e os alunos foram acompanhados até a delegacia para registrar boletim de ocorrência.

Ainda de acordo com a reitora, o homem foi posteriormente identificado como um policial federal. A informação aumentou a preocupação entre a comunidade acadêmica, diante do temor de novas ameaças ou da presença de outros agentes no campus.

Reunião da UFMT com a Polícia Federal. - Foto: Ianara Garcia
Reunião da UFMT com a Polícia Federal. – Foto: Ianara Garcia

Diante da situação, a UFMT informou que procurou a Corregedoria da Polícia Federal em Mato Grosso. A universidade também comunicou o caso ao Ministério Público, à Procuradoria Federal e aos setores internos responsáveis, além de manter acompanhamento diário dos desdobramentos.

Durante a reunião, a reitora afirmou que representantes da universidade foram recebidos pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira para garantir que os alunos tenham conhecimento das medidas em andamento.

“Queremos que vocês saibam que todas as medidas possíveis estão sendo adotadas. Nós não estamos fechando os olhos para nenhuma possibilidade, para nenhum risco”, afirmou.

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UFMT. – Foto: Ascom/UFMT

A universidade informou ainda que criou uma Secretaria de Direitos Humanos, voltada ao atendimento de pessoas em situação de sofrimento, violência, adoecimento ou vulnerabilidade dentro do espaço físico da instituição.

“A Polícia Federal é uma polícia judiciária e, por isso, não exerce atividade ostensiva. Muitas vezes, atuamos sem sermos vistos, porque a nossa função é investigar. Mas a Polícia Federal está presente e à disposição para contribuir com a segurança da UFMT, assim como faz com outros órgãos públicos federais. Com relação ao caso, a Superintendência tomou as providências cabíveis, acionou o protocolo de emergência e já instaurou procedimentos administrativos para apurar os fatos. Estamos acompanhando tudo de perto, dentro das normas legais”, afirmou o delegado Cláudio Trapp, corregedor da Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso.

A UFMT afirmou que seguirá acompanhando o caso junto às autoridades competentes e que busca reforçar a segurança para garantir o funcionamento da universidade com proteção à comunidade acadêmica.

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