Agro cobra segurança jurídica e previsibilidade no Brasil

A segurança jurídica no campo, a representatividade rural e a necessidade de políticas públicas que garantam previsibilidade ao produtor estiveram no centro do debate no Podcast Agro de Primeira. 

Ao longo da entrevista, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni, analisou os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro, desde questões fundiárias e institucionais até o aumento dos custos de produção e a dependência externa de insumos estratégicos. (Assista ao episódio completo no YouTube ou ouça no Spotify do Agro de Primeira)

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Em mais um dos episódios especiais gravado durante a 86ª Expogrande, diretamente do Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande (MS), foi debatido o papel do agro na economia, na segurança alimentar e no desenvolvimento social, conectando o produtor rural às decisões tomadas em Brasília (DF).

Para Bertoni, o setor produtivo convive com um ambiente de incertezas que afeta investimentos, crédito e planejamento de longo prazo, exigindo atuação firme das entidades representativas.

 “No Brasil, nem o passado é certo. O STF de tempos em tempos eles mudam os entendimentos. As regras mudam o tempo todo, e isso impede que o produtor tenha segurança para investir”, afirmou.

Segurança jurídica e mercado agro

No campo político e institucional, Bertoni detalhou sua atuação na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), especialmente em comissões ligadas a assuntos fundiários e meio ambiente. Apontando os conflitos envolvendo terras, demarcações e interpretações jurídicas divergentes como um dos maiores gargalos do setor produtivo.

Segundo ele, o setor do agronegócio precisa de soluções equilibradas que reconheçam direitos, mas também garantam justiça aos produtores que adquiriram suas propriedades de forma legal. Uma vez que a falta de decisões efetivas e definitivas ampliam a insegurança e geram conflitos desnecessários.

Bertoni também chamou atenção para o aumento do custo de produção, a alta dos juros e a dependência do Brasil de fertilizantes importados, fatores que afetam toda a cadeia produtiva e, consequentemente, o consumidor final.  

Educação como ferramenta estratégica

Além das questões institucionais, o presidente da Famasul apontou a educação como eixo central para aproximar o campo da sociedade. Nesse cenário, ele indicou o Programa Agrinho, desenvolvido pelo Senar/MS em parceria com a federação, como uma das ferramentas efetivas de formação, conscientização e conexão entre o agro e a população urbana.

Programa Agrinho aproxima as crianças da vida real no campo. (Foto: Reprodução)

O projeto atende escolas públicas, privadas e indígenas em todo o estado, levando conceitos de sustentabilidade, produção de alimentos, cidadania e preservação ambiental para crianças e adolescentes.

De acordo com Bertoni, o impacto vai além da sala de aula e ajuda a formar uma nova geração mais conectada com a realidade do campo.

“A gente não tem que estar brigando, mas trabalhando junto. O Agrinho mostra isso desde cedo e faz diferença na vida dessas crianças, conectando a cidade ao campo com informação e vivência”, destacou.

Marcelo Bertoni defende regras claras, decisões definitivas e atuação firme das entidades do agro. (Foto: Arumí Figueiredo)
Marcelo Bertoni defende regras claras, decisões definitivas e atuação firme das entidades do agro. (Foto: Arumí Figueiredo)

Ao final da entrevista, Marcelo destacou a resiliência do produtor rural e reforçou o compromisso da Famasul e da CNA na defesa do agro brasileiro. Segundo ele, apesar dos desafios, o setor segue como pilar da economia nacional e da segurança alimentar.

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