Acrimat critica bloqueio da União Europeia à carne brasileira

A suspensão da entrada de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil na União Europeia gerou críticas do setor produtivo. Para o diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, a decisão do bloco europeu tem caráter protecionista e não encontra respaldo científico.

A mercado europeu representa apenas 5% dos destinos internacionais da carne brasileira. – Foto: Reprodução

A União Europeia iniciou na última quinta-feira (3) a suspensão da entrada de novos produtos brasileiros de origem animal em seus 27 países-membros. A medida atinge carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos.

Segundo Manzi, apesar de a Europa ser um mercado estratégico para a pecuária brasileira, a participação do bloco nas exportações do país é relativamente pequena. O continente reúne mais de 400 milhões de consumidores e costuma pagar mais por determinados produtos, mas representa menos de 5% dos destinos internacionais da carne brasileira.

“Sabemos que foi uma decisão com viés protecionista aos produtores locais, pois não encontra amparo na ciência”, afirmou o diretor técnico da Acrimat.

A avaliação ocorre em meio à decisão europeia de restringir as importações brasileiras por considerar insuficientes os mecanismos de controle adotados pelo país para o uso de antimicrobianos na produção animal.

A União Europeia não apontou casos de contaminação ou irregularidades sanitárias em lotes específicos de carne brasileira. A preocupação está relacionada aos mecanismos de controle, rastreabilidade e comprovação do uso dessas substâncias ao longo da produção.

Mais de 130 países compram carne brasileira

Para Manzi, a amplitude dos mercados consumidores brasileiros pode reduzir os efeitos do bloqueio europeu sobre os produtores. Atualmente, mais de 130 países importam carne brasileira, o que, segundo ele, cria alternativas para o redirecionamento de parte da produção.

“Temos convicção de que o impacto será menor do que o estimado. E muito dessa proibição será absorvida, tanto pelo mercado interno, como por outros países”, disse.

O cenário internacional também é considerado favorável pela Acrimat devido à redução do ciclo de rebanhos em importantes países produtores. Estados Unidos e Austrália, dois dos principais concorrentes do Brasil no mercado internacional de carne bovina, também enfrentam redução de seus rebanhos.

A menor oferta global pode abrir espaço para que outros mercados absorvam parte da carne brasileira que seria destinada à Europa.

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Até o momento não há previsão para retomada dos envios de produtos brasileiros de origem animal em território europeu. – Foto: Agência Brasil

Pecuarista deve manter produção

Mesmo diante da restrição europeia, a orientação da Acrimat é de continuidade da produção. Manzi afirma que os pecuaristas brasileiros devem manter os padrões de qualidade e trabalhar para atender às exigências necessárias para recuperar o acesso ao mercado europeu.

“O pecuarista vai continuar produzindo com a mesma qualidade e espera que a Europa não tire o país da lista de exportadores”, afirmou.

O Brasil também tenta demonstrar que possui condições de cumprir os requisitos exigidos pelo bloco. Entre as medidas discutidas estão protocolos de rastreabilidade capazes de acompanhar o animal desde o nascimento até o abate e comprovar o controle sobre o uso de determinados antimicrobianos.

Segundo Manzi, parte das propriedades brasileiras que já possuem habilitação para exportar à Europa teria condições de atender às exigências feitas pelo bloco.

“Estamos prontos para voltar a atendê-los e comprovar que mesmo as exigências feitas podem ser comprovadas por muitas das propriedades que já possuem habilitação para a Europa”, afirmou.

A suspensão das novas cargas não significa, neste momento, uma exclusão definitiva do Brasil do mercado europeu. O governo brasileiro continua negociando com a União Europeia para comprovar a adequação dos mecanismos nacionais de controle.

Enquanto isso, auditorias europeias também avaliam as cadeias brasileiras de frango e mel. Ainda não há uma data definida para a retomada das exportações.

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