Apoio técnico prevê estudos para transformar trecho urbano da BR-163 em avenida com parque linear e ampliar áreas verdes e drenagem em bairros de Cáceres. Obras ainda dependem de recursos.
Duas cidades de Mato Grosso foram selecionadas para desenvolver projetos urbanos com apoio de uma iniciativa de cooperação entre Brasil e Alemanha. Lucas do Rio Verde e Cáceres integram a lista de dez municípios escolhidos pelo programa Cidade Presente na Amazônia, que pretende auxiliar as prefeituras na preparação de propostas voltadas à mobilidade, à qualidade dos espaços públicos e à adaptação às mudanças climáticas.
Em Lucas do Rio Verde, o planejamento prevê estudar a transformação de um trecho urbano da BR-163 em avenida, acompanhado da implantação de um parque linear. Já em Cáceres, a proposta concentra esforços na arborização, na recuperação de áreas verdes e em melhorias na drenagem para reduzir problemas relacionados ao calor e aos alagamentos.
O apoio técnico está previsto para ocorrer entre outubro de 2026 e abril de 2027. Durante esse período, especialistas deverão trabalhar com as equipes municipais em oficinas, reuniões e orientações para desenvolver as propostas.
A seleção, porém, não significa que as obras estejam autorizadas ou tenham financiamento garantido. Após a etapa de planejamento, as administrações municipais ainda precisarão buscar recursos para tirar os projetos do papel.
Lucas do Rio Verde quer transformar trecho urbano da BR-163
Em Lucas do Rio Verde, a proposta busca mudar a relação da cidade com a BR-163, rodovia importante para a circulação regional e para o transporte de cargas. A ideia é desenvolver um projeto para transformar parte do trecho urbano em avenida e implantar um parque linear.
A iniciativa pretende integrar a circulação de veículos e pedestres aos espaços públicos, considerando aspectos de mobilidade urbana, infraestrutura, meio ambiente e desenvolvimento econômico.
O parque linear poderá fazer parte de uma estratégia para qualificar o espaço urbano no entorno da rodovia. A definição das características do projeto, entretanto, dependerá dos estudos realizados durante o período de assistência técnica.
A prefeitura contará com uma equipe formada por profissionais de diferentes áreas, incluindo arquitetura e urbanismo, engenharia civil, engenharia ambiental e engenharia florestal. Essa composição deve contribuir para avaliar as necessidades urbanas e ambientais envolvidas na proposta.
A transformação de um trecho rodoviário em avenida exige estudos sobre circulação, acessos, segurança viária, integração entre bairros e funcionamento do tráfego. No caso de Lucas do Rio Verde, essas questões serão importantes para definir como a proposta poderá conciliar a mobilidade urbana com a criação de novos espaços públicos.
Por enquanto, não há confirmação de cronograma para execução das obras nem de orçamento definido para a implantação do projeto. A etapa anunciada está voltada à elaboração e ao aperfeiçoamento da proposta.
Cáceres prevê mais árvores e melhorias contra alagamentos
Em Cáceres, o projeto tem como foco quatro bairros: Jardim Marajoara, Cavalhada III, Cidade Nova e Espírito Santo. A proposta prevê ampliar a arborização, recuperar áreas verdes e desenvolver medidas para melhorar a drenagem urbana.
A escolha das regiões considera um diagnóstico elaborado pela organização WRI Brasil, que identificou vulnerabilidades climáticas e sociais nesses locais, conforme informações divulgadas pela prefeitura.
Entre as ações previstas estão o plantio de árvores em ruas, calçadas e espaços públicos, além da recuperação da vegetação nas margens do Córrego Sangradouro. A intenção é contribuir para a qualificação ambiental e ajudar a reduzir os efeitos das enxurradas.
A arborização também é considerada uma medida para enfrentar o calor nas cidades. A presença de árvores pode oferecer sombra, melhorar o conforto térmico e tornar os espaços públicos mais agradáveis para a população. Os resultados, contudo, dependem de fatores como a escolha das espécies, o planejamento do plantio e a manutenção da vegetação.
Outra frente envolve a estruturação do Viveiro Municipal de Espécies Pantaneiras, com o objetivo de ampliar a produção de mudas nativas. A proposta também prevê capacitar moradores para participar do plantio e dos cuidados com as árvores.
A prefeitura estuda ainda a possibilidade de conceder descontos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) aos moradores que mantiverem as árvores cuidadas. A medida aparece como uma ideia a ser desenvolvida, não como um benefício já regulamentado.
O município informou que ainda não calculou o custo necessário para executar o projeto. A proposta também deverá ser discutida no Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema).
Cooperação entre Brasil e Alemanha vai apoiar o planejamento
A seleção integra o Projeto Cidade Presente 2, iniciativa realizada pelo Ministério das Cidades em parceria com a agência alemã de cooperação internacional GIZ, com recursos do governo da Alemanha.
O programa busca apoiar municípios da Amazônia Legal na elaboração de projetos urbanos que considerem mobilidade, espaços públicos, adaptação às mudanças climáticas e inclusão social.
Além de Lucas do Rio Verde e Cáceres, foram selecionados Ananindeua, Belterra, Benjamin Constant, Marabá, Marituba e Paragominas, além de Pimenta Bueno e Rio Branco.
O trabalho de assistência técnica deve ajudar as prefeituras a organizar diagnósticos, avaliar alternativas e amadurecer as propostas antes da busca por financiamento.
Para os municípios, essa etapa pode ser importante para estruturar projetos com objetivos, necessidades e soluções mais bem definidos. Ainda assim, a execução dependerá da disponibilidade de recursos e das etapas administrativas necessárias para cada intervenção.
O que muda para Mato Grosso?
As duas propostas abordam desafios diferentes. Em Lucas do Rio Verde, o foco está na integração da rodovia ao espaço urbano, com a perspectiva de uma avenida e de um parque linear. Em Cáceres, o planejamento prioriza a adaptação climática, a vegetação urbana e a drenagem em bairros apontados como vulneráveis.
A etapa prevista até abril de 2027 deverá contribuir para detalhar as propostas. Até lá, é importante distinguir o apoio técnico anunciado da contratação ou execução das obras: a seleção abre uma oportunidade para desenvolver os projetos, mas não garante que eles serão implantados.
Para os moradores, os próximos passos relevantes serão a divulgação dos estudos, a definição das intervenções, a estimativa dos custos e a identificação das fontes de financiamento.
O avanço dos projetos dependerá, portanto, da capacidade de transformar o planejamento em propostas viáveis e, posteriormente, assegurar os recursos necessários para sua execução.
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