Após fugir do Brasil, Flávio Bolsonaro se autodeclara ‘verdadeiro presidente do país’ em carta aberta

Em solo norte-americano, o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou em rede social na tarde desta quarta-feira (28) uma carta em que se dirige ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. No texto, ele ainda agradece aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, pelo apoio e por “comungar dos mesmos valores”.

Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami, Flórida, em 28 de outubro de 2026. — Foto: RICARDO ARDUENGO / AFP

No documento, Flávio cita que no domingo (25) que marcou a votação do segundo turno da eleição presidencial de 2026, acompanhou a apuração dos votos estarrecido e acredita que a apuração foi “uma fraude eleitoral”.

Sem citar o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, Flávio se refere a ele como “ex-advogado de Lula” e diz que a atuação dele em estender por duas horas o prazo de encerramento da votação foi “ilegítima e ilegal” permitindo que uma impossibilidade matemática se concretizasse para a vitória do candidato a reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Também sem citar o ministro do STF Alexandre de Moraes, o senador menciona que sete minutos após a “fraude eleitoral”, “um juiz” tentou sequestrar seus passaportes e acredita que seria preso em sequência. A afirmação, contudo, não encontra respaldo, já que não há mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro.

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Flávio ainda afirma que não cometeu nenhum crime e que se sente perseguido em meio a uma “caça às bruxas” por motivação política e acredita que caso tivesse o passaporte apreendido, em seguida seria preso, censurado, julgado e condenado.

Diante disso, ele diz que não submeteria sua família a isso e trouxe esposa e filhas para os Estados Unidos, onde se sentem em segurança. Ele ainda agradece ao presidente Trump e ao governo americano pela acolhida no país.

Ele nega que tenha fugido do país, mas afirma que saiu do Brasil para continuar sendo uma liderança política e cita a exemplo outros líderes políticos que se autoexilaram para evitar “perseguições políticas”.

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O senador também acrescenta que o Brasil vive “um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política”, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado.

Ele ainda menciona que nos próximos dias vai se dirigir ao povo brasileiro, e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição e buscar apoio popular por que, por “meios pacíficos e legítimos”, impeça que “Lula consolide um regime ditatorial no Brasil”.

Ao final ele afirma que liderará a oposição a distância e “assumirá riscos” que senadores, deputados e governadores eleitos do mesmo partido não podem correr e indica o senador Rogério Marinho como seu candidato a presidência do Senado.

“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar. Que Deus abençoe o Brasil”, finaliza.

Leia carta na íntegra.

Flávio deixa o Brasil e pousa nos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil por terra, atravessou a fronteira com a Argentina e embarcou em um jatinho particular cerca de 40 minutos depois, na noite de terça-feira (27). A aeronave seguiu para os Estados Unidos sem cruzar o espaço aéreo brasileiro e pousou em Miami na manhã desta quarta-feira (28).

Na segunda-feira (26), um dia antes de atravessar a fronteira, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais criticando a decisão do STF. Na gravação, afirmou que havia sido intimado pela Polícia Federal após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e questionou a justificativa utilizada para a retenção de seus passaportes.

O senador também declarou que pretendia continuar atuando na oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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