Sebo bovino e óleo de cozinha viram combustível em usina de Mato Grosso

Do frigorífico e da cozinha para o tanque dos veículos. O sebo retirado durante o processamento de bovinos e o óleo que sobra das frituras podem voltar à cadeia produtiva como parte do combustível utilizado em caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e outros veículos movidos a diesel.

Esses materiais estão entre as matérias-primas empregadas por duas usinas de biodiesel instaladas no Centro-Oeste. Uma delas fica em Cuiabá (MT) e a outra em Rio Brilhante (MS).

Juntas, as fábricas do Grupo Delta Energia têm capacidade para produzir até 1,6 milhão de litros de biodiesel por dia. A unidade da capital mato-grossense responde por até 1 milhão de litros desse total.

Glicerina também pode ser purificada e aproveitada na fabricação de sabões, sabonetes e outros produtos industriais. – Foto: assessoria

O que é o sebo bovino?

O sebo é a gordura obtida durante o processamento de bovinos em frigoríficos e graxarias. O material é rico em triglicerídeos, moléculas que também estão presentes nos óleos vegetais e podem ser transformadas em biodiesel.

Estudo publicado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que cada bovino pode gerar, em média, entre 15 e 18 quilos de sebo.

Além do combustível, essa gordura pode ser usada na fabricação de sabões, detergentes e cosméticos. O reaproveitamento oferece uma destinação econômica a um subproduto da cadeia da carne.

Antes de entrar na produção do biodiesel, o sebo passa por etapas de limpeza e purificação para a retirada de água e impurezas. Como pode permanecer sólido em determinadas temperaturas, o material também precisa ser aquecido antes da transformação.

E o óleo que sobra das frituras?

O óleo usado em residências, restaurantes e estabelecimentos comerciais também pode virar combustível, desde que seja armazenado, recolhido e destinado corretamente.

Ao chegar à indústria, o produto passa por filtragem para a retirada de restos de alimentos e outras partículas. A água presente no material também precisa ser removida, pois pode prejudicar a reação química e comprometer a qualidade do biodiesel.

A empresa não informou quanto óleo de cozinha usado é processado nas duas unidades nem de onde o resíduo é recolhido. Também não detalhou a proporção de óleo vegetal, sebo bovino e matérias-primas recicladas utilizada em cada fábrica.

sebo bovino 2
Depois da limpeza, os óleos e as gorduras passam por uma reação química chamada transesterificação. – Foto: Assessoria

Como a gordura vira combustível?

Depois da limpeza, os óleos e as gorduras passam por uma reação química chamada transesterificação. Nesse processo, os triglicerídeos reagem com um álcool, que pode ser metanol ou etanol, e uma substância que acelera a reação.

A mistura gera dois produtos: biodiesel e glicerina. O combustível é separado, purificado e submetido a testes para verificar se atende às especificações da ANP.

A glicerina também pode ser purificada e aproveitada na fabricação de sabões, sabonetes e outros produtos industriais.

O biodiesel produzido nas usinas não chega sozinho aos postos. Ele é misturado ao diesel de origem fóssil e passa a integrar o combustível vendido aos consumidores.

Usinas alcançam maior nota ambiental

As fábricas de Cuiabá e Rio Brilhante passaram por uma recertificação no RenovaBio, programa nacional voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa no setor de combustíveis.

Segundo o Grupo Delta Energia, as unidades alcançaram a maior nota de eficiência energética ambiental entre as 48 usinas de biodiesel ativas no programa. A empresa, porém, não informou qual foi a pontuação obtida.

A auditoria analisou a origem, o transporte e o consumo das matérias-primas utilizadas na produção. Depois da validação dos dados pela ANP e da realização de consulta pública, a certificação foi concedida por três anos.

Com o resultado, as duas fábricas estão aptas a emitir, juntas, até 229 mil Créditos de Descarbonização, os CBios, por ano. Esses ativos financeiros estão relacionados à redução das emissões e podem ser negociados na B3.

sebo bovino 1
Fábricas de Cuiabá e Rio Brilhante passaram por uma recertificação no RenovaBio. – Foto: assessoria

Um milhão de litros por dia em Cuiabá

Inaugurada em 2019, a usina de Cuiabá ocupa uma área de 50 mil metros quadrados e pode produzir até 1 milhão de litros de biodiesel por dia.

A unidade de Rio Brilhante começou a funcionar em 2010, ocupa 70 mil metros quadrados e possui capacidade para fabricar 600 mil litros diariamente.

As duas fábricas possuem o Selo Biocombustível Social, concedido pelo governo federal às empresas que adquirem insumos da agricultura familiar. Segundo o grupo, mais de 800 pequenos produtores participam da cadeia de fornecimento.

  1. Justiça eleitoral define tempo de propaganda dos candidatos ao governo e Senado em MT na TV e no rádio; veja distribuição

  2. Centro América FM realiza rodada de entrevistas com candidatos ao Senado de MT; veja datas

  3. Sommelier ensina truque simples para acertar na harmonização de cervejas

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia