Moradores, produtores rurais e funcionários de fazendas estão se unindo para tentar impedir que um incêndio que já dura 12 dias avance sobre áreas de pastagens no norte de Mato Grosso. Com tratores, eles abrem aceiros na vegetação para criar uma barreira e evitar que as chamas cheguem às propriedades.
O incêndio atinge uma reserva florestal em uma área de transição entre a Amazônia e o Cerrado, na região de Nova Santa Helena e Cláudia. Cerca de 20 mil hectares já foram queimados e ainda há focos ativos.
Quatro homens presos no início deste mês por suspeita de provocar o incêndio. Eles pagaram fiança no mesmo dia e responderão ao processo em liberdade. O grupo foi detido pela Polícia Militar após ser localizado em uma área de mata durante a operação de combate ao fogo.
Imagens feitas por drone mostram a dimensão da área atingida pelo fogo. Em solo, moradores e trabalhadores das propriedades próximas atuam principalmente na abertura dos aceiros.
“Se não apagar, depois dá prejuízo para os outros, para todo mundo. Aí fica todo mundo no prejuízo”, afirma o agricultor Aldair dos Santos.
Período da tarde preocupa
O período mais crítico para o combate é durante a tarde. O vento mais forte, aliado ao calor intenso e à baixa umidade do ar, favorece o avanço das chamas e o surgimento de novos focos.
Diante do risco, produtores da região passaram a trabalhar em conjunto para tentar impedir que o incêndio alcance novas propriedades.
“A gente anda trabalhando tudo em união, para ver se não prejudica ninguém. Tanto o pessoal do agro, que mexe com soja, com lavoura, quanto nós aqui das pastagens”, conta o agricultor Ceni de Paula.
O Corpo de Bombeiros informou que uma força-tarefa atua no combate ao incêndio, com apoio de uma aeronave. A corporação não informou quantas pessoas estão mobilizadas na operação.
Prejuízo já passa de R$ 100 mil em fazenda
Para quem vive e trabalha na região, os prejuízos provocados pelo incêndio já começaram a aparecer. O vaqueiro Ricardo Soares afirma que será necessário retirar o gado da fazenda onde trabalha por causa do fogo.
Segundo ele, as perdas na propriedade já ultrapassam R$ 100 mil.
“É uma correria danada aqui. Apagamos fogo desde sexta-feira passada e aí ontem surgiu esse fogo de novo. Se for somar certinho, já passou de R$ 100 mil. Acabou com tudo”, relata.
Outro incêndio é investigado em Rondonópolis
Em Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, equipes trabalham desde domingo para controlar outro incêndio de grandes proporções. As chamas atingiram uma área do Exército e ainda não foram totalmente controladas.
Ainda não há estimativa da área queimada. Imagens de uma câmera de segurança registraram um homem colocando fogo na vegetação, e a polícia investiga se a ação deu início ao incêndio.
Mato Grosso lidera o número de focos de calor registrados no país em 2026. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), são 4.326 focos desde o início do ano, sendo 582 registrados apenas em agosto.
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