A rotina da influenciadora digital Gleyci Alencar, de 23 anos, vem chamando atenção de milhares de pessoas nas redes sociais desde sexta-feira (24). Em um vídeo publicado, ela aparece lavando a calçada de casa, em Sinop (MT), sem poder colocar um dos pés para fora do portão devido ao uso de tornozeleira eletrônica.
O vídeo, que já alcançou mais de 2,1 milhões de visualizações, faz parte de outras publicações da jovem no período de um ano mostrando a rotina de limitações da prisão domiciliar. Veja abaixo:
Ao Primeira Página, Gleyci contou que responde por um processo por tráfico de drogas que já tramita há cerca de seis anos e que já completa 12 meses sem vivenciar a vida do lado de fora dos muros da casa.
Nesse cenário, ela viu na internet uma forma de mostrar, com bom humor e resiliência, as limitações impostas judicialmente após o crime que cometeu. O conteúdo da jovem vai desde reflexões sobre as próprias atitudes e o conforto de ficar em casa, até momentos de autocuidado.
Ainda durante a entrevista, a jovem disse que a determinação para cumprir a pena em casa chegou justamente quando ela acreditava ter deixado o passado de erros para trás.
Na época, Gleyci havia conseguido um emprego e iniciava a faculdade de enfermagem, em tentativas de reconstruir a vida, quando recebeu a atualização do processo e precisou interromper os planos novamente.
Desde então, ela não pode sair nem mesmo na calçada em frente de casa, motivo que explica o cuidado ao gravar o vídeo que despertou curiosidade na internet.
Apesar das restrições, a influenciadora diz que tenta enxergar o lado positivo da situação. O tempo dentro de casa teria permitido uma convivência mais intensa dela com os filhos Noah, de 4 anos, e Asaffe, de 1 ano e 9 meses.
Segundo Gleyci, o afastamento da universidade é a consequência que mais pesa na rotina. O objetivo, quando puder retomar a vida fora de casa, é concluir a graduação em Enfermagem e seguir uma trajetória diferente da que imaginava anos atrás.
A jovem ainda afirma que nem sempre enxergou essa possibilidade. Por muito tempo, ela acreditou que o processo criminal definiria para sempre quem seria. Mas, mudou a forma forma de encarar o próprio passado com o passar do tempo.
Prisão domiciliar e tornozeleira
A tornozeleira eletrônica é um dispositivo de rastreamento por GPS e sinal de celular usado para monitorar a localização em tempo real de pessoas sob supervisão da Justiça, como em prisões domiciliares, regime semiaberto ou medidas protetivas.
Caso o dispositivo seja removido, danificado ou parar de transmitir o sinal, o sistema de monitoramento emite um alerta e as autoridades são comunicadas.
O descumprimento das regras de uso é considerado falta grave e pode gerar perda de benefícios, como a progressão de regime, saídas temporárias e prisão domiciliar monitorada.
Nos casos em que o equipamento fica sem bateria, o sistema também registra a interrupção do sinal. Se for comprovado que a descarga foi intencional, o monitorado poderá sofrer sanções judiciais.
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Ao Primeira Página, a influenciadora Gleyci Alencar contou que usa a tornozeleira pelo crime de tráfico de drogas e que a sentença de prisão domiciliar chegou em um momento em que a jovem já havia recomeçado a vida, conseguido um emprego e estava cursando faculdade.
Foi então que ela se encontrou diante de uma nova necessidade de recomeço após uma atualização do processo ao qual ela já respondia judicialmente há cerca de seis anos.
Apesar do impedimento de sair até mesmo na calçada de casa, Gleyci afirma que a rotina afastada da sociedade ainda é considerada “gostosa” pela proximidade que ela pode ter com os filhos, por exemplo.
“Nas condições que estou hoje são vários impedimentos, mas pra mim, sem dúvidas, o pior está sendo não poder estudar. Eu acredito que, mesmo sendo nova, eu já perdi bastante tempo, sabe? Aquela sensação de ver o relógio rodando para todo mundo, mas parado para você… Isso é o pior de tudo.”
Gleyci já não para fora de casa há um ano desde que teve o mandado de prisão cumprido por tráfico de drogas.
Antes, ela pensava de maneira diferente e chegou a pensar que não teria outra saída na vida que para ela já estava totalmente ‘sentenciada’.
“O que me faz levar tudo isso com tranquilidade e tentar tirar um bom humor disso tudo é que eu fiz as pazes comigo, me perdoei pelo meu erro e entendi que eu não sou só aquele erro.. Passei de uma adolescente inconsequente para uma mãe que não queria ter um filho inconsequente.”
Hoje o objetivo dela é finalizar a faculdade de enfermagem e conseguir levar uma vida tranquila.