A advogada Dayana Karol Moreira e os jogadores de futebol amador Alex Júnior, conhecido como “Soldado”, e Brunno Passos, o “Brunninho”, estão entre os alvos da Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil, na manhã desta quinta-feira (30). Ao todo, 10 pessoas foram presas, e foram cumpridos mandados de busca e apreensão e determinadas medidas patrimoniais, que incluem o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de imóveis e veículos.
Segundo a Polícia Civil, os dois são suspeitos de participar da lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e de prestar apoio à organização criminosa, em um desdobramento das investigações que deram origem às operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A nova fase foi deflagrada depois que a análise dos dados indicou que o grupo continuava em atividade, mantendo uma estrutura organizada, com divisão de tarefas, núcleo financeiro próprio e operadores externos.
Segundo a investigação, os envolvidos utilizavam contas bancárias de terceiros e adquiriam imóveis e veículos em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível com o valor dos bens.
A Justiça autorizou prisões preventivas, buscas pessoais, domiciliares e veiculares, acesso a dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas, sequestro de bens e bloqueio de valores ligados aos investigados.
As medidas têm como objetivo interromper as atividades do grupo, preservar provas, evitar a transferência ou ocultação de patrimônio e atingir a estrutura financeira que sustentava a organização.

Imóveis de luxo e veículos
Os imóveis e veículos identificados durante as investigações foram avaliados em aproximadamente R$ 17,2 milhões. Entre os bens estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, além de três terrenos e quatro veículos.
Somente os imóveis foram estimados em cerca de R$ 16,6 milhões. A relação inclui um apartamento de luxo em Itapema, avaliado em R$ 3 milhões, e outro imóvel de alto padrão em Balneário Camboriú, estimado em R$ 6 milhões.

Também foram identificadas uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, avaliada em R$ 6 milhões, uma residência de alto padrão em Cuiabá, estimada em R$ 1,5 milhão, e três terrenos avaliados, juntos, em aproximadamente R$ 180 mil.
Os quatro veículos, entre automóveis e motocicletas registrados em nome de investigados ou terceiros, foram avaliados em cerca de R$ 607,6 mil.
Além do sequestro dos bens, os investigadores solicitaram o bloqueio de até R$ 15,3 milhões em ativos financeiros. Somadas, as medidas patrimoniais podem alcançar aproximadamente R$ 32,6 milhões.
Comando mantido de dentro da prisão
Outro ponto da investigação indica que uma das lideranças do grupo continuava exercendo funções de comando financeiro e disciplinar, mesmo presa em uma unidade de segurança máxima do sistema penitenciário estadual.
As comunicações analisadas registraram cobranças de fechamentos financeiros, ordens para o recolhimento de valores, correções de planilhas e orientações repassadas a operadores que permaneciam em liberdade.
Em uma das planilhas apreendidas, havia referência a R$ 14 milhões como valor total congelado e a R$ 1,2 milhão relacionado ao período analisado. A soma, de R$ 15,3 milhões, foi usada como parâmetro para o pedido de bloqueio dos ativos financeiros.
Os registros também continham prestações de contas, referências à movimentação de grandes quantidades de entorpecentes e informações sobre a distribuição de recursos entre diferentes núcleos da organização.
A investigação identificou ainda que um mesmo chip telefônico atribuído à liderança foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para os investigadores, a troca frequente dos dispositivos era uma estratégia para contornar apreensões e controles penitenciários e manter as comunicações clandestinas.
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