Ele foi o carrasco que decretou a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026. Em dois lances de perigo, dois gols. E, mais uma vez, o sonho do hexacampeonato ficou pelo caminho.
Pela lógica, todo brasileiro deveria estar odiando o norueguês Erling Haaland, atacante de quase dois metros de altura e considerado um dos maiores jogadores do futebol mundial na atualidade. Mas aconteceu justamente o contrário.
Desde a derrota por 2 a 1 para a Noruega, multiplicam-se nas redes sociais comentários de brasileiros elogiando Haaland. E não apenas pelo talento dentro de campo. Boa parte dessa admiração nasceu da forma como ele se comunicou antes, durante e depois da partida.
Após a classificação histórica da Noruega, a maior “provocação” do atacante foi uma postagem com apenas três palavras: “Ora, ora, ora…”. Uma brincadeira discreta, sem ataques pessoais, sem menosprezar o adversário e sem transformar a vitória em humilhação.
Nas entrevistas, o tom foi o mesmo. Haaland afirmou que jamais imaginou que viveria um momento como aquele, disse que sempre sonhou em disputar uma Copa do Mundo pela Noruega, mas nunca acreditou que venceria o Brasil em um Mundial. Também classificou a partida como “a melhor da história da Noruega” e atribuiu sua eficiência diante do gol a um “presente de Deus”, valorizando muito mais o feito coletivo do que a própria atuação.
Não houve arrogância. Não houve discurso de superioridade. Não houve a necessidade de diminuir o adversário para engrandecer a própria conquista. Pode ser traço de personalidade. Pode ser o espírito desportivo do ‘fair play’. Pode haver, sim, um excelente trabalho de Media Training por trás dessa postura. Seja qual for a origem, o resultado é evidente: com seu jeitão de “gente boa”, Haaland conseguiu conquistou a simpatia de parte da torcida que ele próprio fez chorar.

Quando deixamos de lado o futebol e olhamos para esse episódio sob a perspectiva da comunicação, encontramos uma lição valiosa. Quem vence tem duas escolhas: usar o sucesso para humilhar ou para inspirar. A primeira gera aplausos momentâneos da própria torcida, mas costuma despertar rejeição em quem está do outro lado. A segunda constrói respeito, credibilidade e reputação.
Isso vale para atletas, líderes, empresas, políticos e para qualquer pessoa. Afinal, todos nós venceremos alguma disputa ao longo da vida: uma promoção, uma eleição, uma concorrência, uma negociação ou simplesmente um debate. E, quando esse momento chegar, vale a pena lembrar: a comunicação contribui para a consolidação da imagem de um vencedor também fora de campo.
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