Recesso escolar injeta fôlego financeiro no comércio de Mato Grosso

A mudança nos hábitos das famílias durante o período de férias escolares tornou-se o principal motor econômico para o setor de gastronomia e entretenimento em Mato Grosso.

Um levantamento inédito realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que mais de seis a cada dez empresários (62%) do estado projetam um incremento na receita ao longo deste mês.

O índice de confiança do comércio mato-grossense superou a média nacional, que fechou em 54%. Geograficamente, no entanto, o desempenho do setor deve desenhar cenários opostos no estado.

De acordo com a análise da Abrasel-MT, o recesso gera um fenômeno de migração interna e evasão de consumidores. Enquanto municípios com vocação para o ecoturismo e praias de rio registram picos de demanda, centros urbanos menos turísticos enfrentam esvaziamento parcial devido às viagens dos moradores locais.

Termômetro do Mercado (Abrasel)

Indicador de Desempenho Cenário em Mato Grosso Cenário Nacional
Expectativa de aumento no faturamento 62% dos estabelecimentos 54% dos estabelecimentos
Projeção de crescimento de até 20% 52% dos negócios 44% dos negócios
Desempenho superior a julho do ano anterior 63% das empresas (Tendência positiva)

Estratégias de retenção e apelo esportivo

Para contrapor o fluxo de moradores que deixam o estado, a tática dos proprietários de bares e restaurantes migrou para a diversificação de atrativos no salão. Estabelecimentos focados no público familiar apostam em cardápios promocionais e programações sazonais.

Já os bares utilizam o calendário de competições esportivas como principal isca de consumo. Dias de transmissões de grandes partidas de futebol têm funcionado como um ponto de equilíbrio para manter a rotina de movimentação das mesas e o giro de estoque aquecidos, mesmo em semanas de menor circulação nas cidades polo.

O gargalo tributário nos bastidores do otimismo

Apesar das projeções de salões cheios e do histórico recente positivo — visto que 53% das empresas já haviam registrado evolução nas vendas em maio na comparação com abril —, o setor opera sob um severo estresse financeiro estrutural. A escalada dos custos operacionais e a impossibilidade de repassar integralmente a inflação dos alimentos para os menus limitam a lucratividade das empresas.

Essa pressão contínua reflete diretamente no balanço contábil do segmento: 51% dos bares e restaurantes mato-grossenses possuem contas ou obrigações financeiras em atraso. O principal entrave está na quitação de obrigações com o fisco:

Diante desse quadro de endividamento, o superávit financeiro gerado pelo recesso de julho ganha contornos de urgência administrativa, sendo visto pelo mercado como a principal janela de oportunidade do ano para a recomposição do fluxo de caixa e a renegociação de débitos tributários.

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