saiba como eram as eleições no passado

Com as atuais urnas eletrônicas, a apuração eleitoral leva poucas horas para contabilizar a totalidade dos votos, com resultados divulgados no mesmo dia do pleito. Mas nem sempre foi assim. No passado, em urnas de madeira ou saco, com cédulas de papel, saber quem eram os candidatos vencedores levava dias.

Brasil já teve eleições em urna de saco, de madeira e urna eletrônica. – Foto: Reprodução

Quem bem se lembra deste período é o historiador Alfredo da Mota Menezes, de 81 anos, que acompanhou de perto a transição entre a chamada urna de lona para a urna eletrônica.

“A cédula de papel continha o nome dos candidatos. Para votar era colocado um X na frente do nome. O resultado a população não ficava sabendo no mesmo dia. Nas cidades do interior de Mato Grosso nem havia juiz eleitoral, era um juiz de direito e promotores, algumas vezes a apuração ocorria na capital”, recorda.

O coordenador de Sistemas Eleitorais e Logística de Eleições (CSEL), Salomão de Souza Fortaleza, explica que as primeiras urnas utilizadas nas eleições brasileiras eram de madeira, pesadas e de difícil manuseio.

primeira pagina 2026 07 07T204332.248
Urna de madeira utilizada no século XIX e início do século XX. – Foto: Reprodução

A partir da década de 1950, foram substituídas pelas urnas de lona. Mais leves e fáceis de transportar, possuíam um tampo de metal, que possibilitava o seu fechamento com um sistema de fechadura, cuja chave ficava sob a guarda do juiz eleitoral ou alguém por ele designado.

Conforme Salomão, antes da eleição, o juiz eleitoral lacrava as urnas. O lacre era rompido na seção eleitoral, para que as cédulas, após o voto de cada eleitor, pudessem ser depositadas através de uma fenda. Ao término da votação, era lacrada novamente. O segundo lacre só era rompido na apuração.

primeira pagina 2026 07 07T204702.725
Uma urna de lona, também conhecida como urna de saco, possui lacres de segurança. – Foto: Reprodução

Como eram as cédulas

Ao chegar na sessão eleitoral, o eleitor era identificado por documento com foto. Durante o voto, o cidadão se posicionava na cabine, protegido da visão de outras pessoas, preenchia as cédulas, dobrava-as e as depositava na urna. Até aí tudo bem.

primeira pagina 2026 07 07T205204.342
Cédula eleitoral utilizada nas eleições presidenciais do ano de 1989. – Foto: Reprodução

As diferenças começavam no formato da eleição e no modo de escrever o voto. Para os cargos majoritários como presidente, governador, senador e prefeito, o eleitor tinha as opções de nomes e partidos, para fazer a escolha com um “X”.

Já para as eleições proporcionais de deputado federal, estadual e vereador, o eleitor tinha de escrever o nome ou o número do candidato. As cédulas ficavam dispostas no interior das urnas, que eram fechadas e lacradas após o encerramento da votação.

Fraudes e mudanças no formato

De acordo com o coordenador de Sistemas Eleitorais e Logística de Eleições, as dificuldades no voto em cédula eram muitas e quando o papel apresentava rasuras ou era preenchido incorretamente o voto era anulado.

“O modelo de votação por cédulas foi marcado por fraudes, erros no registro do número ou nome do candidato, além de recontagens e lentidão na apuração dos resultados. Ocorriam muitos erros de caligrafia e rasuras, o que causava divergência por parte dos fiscais, durante as apurações”, explica Salomão.

Apuração e contagem de votos

Finalizada a eleição, o juiz eleitoral nomeava uma Junta Apuradora, que contava os votos através dos “escrutinadores”. As cédulas eram numeradas por tipo de eleição, majoritária ou proporcional, e depois os votos eram contados e anotados em um mapa de apuração, no relatório de totalização.

Os fiscais de partidos eram designados pelo comitê interpartidário e acompanhavam tanto a votação nas seções, como a apuração dos resultados pelos escrutinadores.

A apuração de uma eleição estadual levava, em média, cinco dias. Era comum que levasse até mesmo uma semana.

primeira pagina 2026 07 07T210017.265
Contagem de votos em cédula levava dias, exigia recontagem e tinha até votos anulados por rasuras. – Foto: Reprodução

Transição para urna eletrônica

O processo de votação eletrônica no Brasil começou de forma experimental em 1992, quando o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) usou computadores para eleição municipal de Brusque. A partir daí foram desenvolvidos modelos de votação eletrônica, adotando o Coletor Eletrônico de Votos (CEV), em 1995.

Salomão explica que o CEV foi uma criação coletiva, adotada pelo Tribunal Superior eleitoral (TSE) com base nos projetos dos TRE’s de Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Em maio de 1996, o CEV foi nomeado urna eletrônica. Nesse ano, ela foi utilizada nas capitais dos Estados e municípios com 200 mil eleitores ou mais e, também em Brusque. Ao todo 52 municípios utilizaram a urna eletrônica.

Vantagens da substituição

De acordo com Salomão, a troca da urna de lona pela eletrônica teve suas vantagens e foram percebidas logo nas primeiras eleições.

“A urna eletrônica eliminou a cédula de papel, com os erros de escrita do voto, e a contagem manual de votos. E, assim, imediatamente após o último eleitor da seção votar, encerrada a votação, a urna eletrônica processa e emite o resultado e é divulgado ali mesmo na seção”, argumenta.

local de votação
Urna eletrônica utilizada atualmente. (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Com transmissão rápida, os dados são enviados eletronicamente para os Tribunais Regionais e para o TSE, sem necessidade de transporte físico de urnas. Depois, o sistema soma automaticamente os boletins recebidos, permitindo que os resultados sejam conhecidos em poucas horas.

Com a emissão do resultado (boletim de urna) na própria seção, candidatos, partidos e órgãos fiscalizadores podem fazer sua própria totalização, coletando o resultado de cada seção. Ao final, podem comparar com o resultado totalizado pela Justiça Eleitoral.

“É preciso que as novas gerações conheçam a história da democracia no país e a história das eleições, para que os erros do passado não se repitam e para que o processo eleitoral continue evoluindo, ampliando a transparência e garantindo que a vontade do eleitor seja respeitada e refletida nos resultados apurados”, conclui.

  1. Eleições 2026: veja o que os pré-candidatos podem e não podem fazer a quase 100 dias da votação

  2. Eleições 2026: grupo de trabalho vai monitorar agressões contra jornalistas

  3. Mesários começam a ser convocados para as Eleições 2026; veja quem pode ser chamado

  4. Eleições 2026: três locais de votação mudam de endereço em Cuiabá; veja as alterações

  5. Partidos têm prazo para informar como vão barrar facções nas eleições 2026

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia