cavalo pantaneiro vive nova fase de valorização

Em mais um episódio do podcast Agro de Primeira, o foco foi a força e a valorização do cavalo pantaneiro, raça símbolo do bioma e cada vez mais presente tanto na lida do campo quanto no esporte e no turismo. Apresentado por Edevaldo Nascimento e Tati Scaff, o programa recebeu o médico veterinário Vicente Lima, inspetor de registro e tesoureiro da Associação dos Criadores de Cavalo Pantaneiro de Mato Grosso do Sul, para um bate-papo sobre tradição, mercado e os desafios da raça.

Ao longo da entrevista, Vicente destacou sua ligação familiar com o Pantanal e a construção de uma trajetória dentro da pecuária e da criação de cavalos. Representando a quinta geração de produtores na região, ele compartilhou como a vivência na fazenda influenciou na escolha pela medicina veterinária e no envolvimento com a seleção da raça pantaneira. (assista ao episódio completo no YouTube acima ou clique no link abaixo para ver ou ouvir no Spotify)

Raça moldada pela natureza

Durante a conversa, o veterinário reforçou as características que fazem do cavalo pantaneiro um aliado indispensável no dia a dia do produtor rural. Adaptado às condições extremas do bioma, o animal se destaca pela resistência, rusticidade e funcionalidade.

Entre os principais diferenciais, Vicente aponta a seleção natural como fator determinante na formação da raça.

“A principal característica são esse casco muito resistente e a capacidade de adaptação. É um animal que passa meses com os cascos embaixo d’água e depois enfrenta calor intenso sem apresentar problemas”, explicou.

Uso no laço e expansão para outros estados fortalecem a raça típica do Pantanal. (Foto: Reprodução)

Outro ponto marcante é a capacidade do animal de buscar alimento mesmo em ambientes alagados, característica rara entre outras raças. Esse conjunto de atributos garante eficiência no manejo do gado em áreas extensivas, onde o cavalo ainda não pode ser substituído por máquinas.

Além da resistência, o conforto também é decisivo. Em jornadas que podem durar o dia inteiro, o cavalo pantaneiro oferece condições para que o peão desempenhe suas atividades com menos desgaste, reforçando seu papel histórico dentro das fazendas do bioma.

Valorização no mercado e novos usos

Se antes o cavalo pantaneiro era voltado quase exclusivamente para o trabalho no campo, hoje a realidade é diferente. Segundo Vicente Lima, a raça também ganha espaço no esporte, especialmente no laço comprido, o que tem ampliado a procura por animais mais preparados.

“Hoje já existe procura por um animal pronto para laçar, não só para serviço. Isso agregou valor e mudou o mercado”, destacou.

Símbolo do Pantanal, cavalo pantaneiro une tradição, mercado e turismo. (Foto: Reprodução)
Símbolo do Pantanal, cavalo pantaneiro une tradição, mercado e turismo. (Foto: Reprodução)
  1. Ovo caipira ganha espaço no mercado e pode virar oportunidade real para produtores de MS

  2. Exportação no agro: o caminho para lucrar em dólar e diversificar a renda

Esse movimento influenciou diretamente os preços e a expansão da raça para outros estados e países vizinhos. O avanço, no entanto, exige atenção para preservar as características originais do animal.

“A gente tem que continuar buscando melhoramento, mas sem esquecer da base da criação, que é o Pantanal. Se tecnificar demais, pode perder a rusticidade que é essencial”, alertou.

Além da lida e do esporte, o cavalo pantaneiro também vem ganhando espaço no turismo rural, reforçando sua importância econômica e cultural dentro e fora do Pantanal.

Veterinário destaca crescimento da demanda, valorização do cavalo pantaneiro e os desafios para manter a rusticidade da raça. (Foto: Thauana Luares)
Veterinário destaca crescimento da demanda, valorização do cavalo pantaneiro e os desafios para manter a rusticidade da raça. (Foto: Thauana Luares)

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia