Aos sete anos e com menos de um ano de contato com o xadrez, o mato-grossense João Pedro Rizzi Kölzer já coleciona títulos que muitos atletas levam anos para conquistar. Nascido em Sinop e morador de Sorriso, ele foi um dos destaques do Festival Nacional da Criança (FENAC) 2026, realizado entre os dias 11 e 14 de junho, em Florianópolis (SC).
Na primeira participação em uma competição de nível nacional, João Pedro conquistou o título brasileiro de xadrez rápido na categoria sub-7, ficou com o vice-campeonato no blitz e ainda terminou em quarto lugar na disputa do clássico, uma das modalidades mais tradicionais do esporte.
Xadrez começou como brincadeira em casa
O desempenho chamou a atenção não apenas pelos resultados, mas também pelo curto tempo de preparação. Segundo o pai do enxadrista, Rogério Kölzer, João começou a jogar há cerca de nove meses, depois de encontrar um antigo tabuleiro de plástico guardado em casa.
“Ele queria jogar o tempo todo. Como não conseguíamos acompanhar o ritmo, demos um notebook para ele jogar em aplicativos. Depois, começou a assistir vídeos no YouTube e foi aprendendo sozinho”, contou o pai ao Primeira Página.

O interesse rapidamente se transformou em talento. Em poucos meses, João passou a vencer familiares e a se destacar nos torneios estaduais. O primeiro grande resultado veio no Regional de Sinop, disputado no início de abril, quando foi campeão na categoria sub-8 e vice-campeão na sub-10.
Ainda em abril, no Campeonato Mato-grossense, realizado em Nova Monte Verde, repetiu a dobradinha: conquistou o título estadual sub-8 e ficou novamente com o vice-campeonato sub-10. Já em maio, venceu a categoria sub-8 do 22º Campeonato de Xadrez do Goiabeiras Shopping, em Cuiabá.

Somente após a sequência de bons resultados a família decidiu buscar um treinamento especializado. Há cerca de um mês, João passou a ter aulas com o mestre Gerson, de Minas Gerais, experiência que antecedeu a participação no FENAC.
“O sonho dele era ganhar do pai. Eu não deixava ele vencer. Demorou uns dois ou três meses para isso acontecer. Depois disso, ele foi evoluindo muito rápido. Hoje, é muito raro eu conseguir ganhar uma partida dele”, relembrou Rogério.
O Festival Nacional da Criança é considerado uma das principais competições de base do país e reúne os melhores enxadristas das categorias infantis. A edição deste ano contou com atletas das categorias sub-7, sub-9, sub-11 e sub-19, nos naipes masculino e feminino.

Para a família, o resultado obtido em Florianópolis representa apenas o começo. Afinal, o menino que começou brincando com um tabuleiro esquecido em casa agora já figura entre os principais nomes do xadrez brasileiro em sua faixa etária.
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