A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (16), em Campo Grande (MS), a Operação “Neuro Complexus”, que apura um esquema de fraudes milionárias em ações judiciais usadas para liberar dinheiro público para cirurgias de alta complexidade. Foram cumpridos 12 mandados de busca, apreendidos mais de R$ 222 mil em espécie, além de notebooks, celulares, cartões de memória e documentos.
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A operação teve início após levantamento do Núcleo Estratégico da Procuradoria de Saúde da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MS), identificar padrões suspeitos em ações judiciais envolvendo pedidos de pagamento de neurocirurgias pelo governo.
Investigação aponta rombo milionário
Após cerca de um ano e meio de apuração, identificou-se que o grupo utilizava decisões judiciais para bloquear verbas públicas e pagar cirurgias com valores acima do mercado.
As investigações indicam que os mesmos médicos apareciam com frequência nas ações, participando da elaboração de orçamentos, realização dos procedimentos e recebimento dos recursos.

Além disso, foi constatado que, desde 2022, ao menos 40 processos foram movidos pela mesma advogada solicitando bloqueio de recursos para cirurgias consideradas urgentes.
Diversos profissionais envolvidos
De acordo com a Polícia Civil, médicos, empresas da área da saúde, uma advogada e um servidor público aposentado atuavam de forma coordenada. O grupo teria obtido cerca de R$ 6,5 milhões de forma indevida, causando prejuízo aos cofres públicos.

A ação segue em busca novas provas para confirmar crimes como organização criminosa, estelionato contra a administração pública, fraude processual e lavagem de dinheiro.
A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) e conta com o apoio do GARRAS, da DRACCO e da DERF. No caso da advogada investigada, as diligências foram acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da OAB/MS.