Uma cobra de coloração rosada, raramente vista na natureza, foi registrada às margens de um rio em Sinop (MT). O vídeo, publicado pelo pescador esportivo Rodrigo Nascimento nas redes sociais, mostra o animal enrolado em uma árvore e levantou a hipótese de uma rara mutação genética relacionada à pigmentação da serpente.
A serpente chama a atenção pela coloração incomum, que rapidamente despertou a curiosidade dos internautas. Nas imagens, o animal aparece enrolado entre os galhos da vegetação próxima à água.
A gravação também chamou a atenção do biólogo Gustavo Figueirôa, que analisou as imagens e apontou a possibilidade de uma rara alteração genética relacionada à pigmentação da cobra.
Para ele, a coloração observada não corresponde ao padrão conhecido de nenhuma espécie. “Isso aqui é muito curioso. Parece uma cobra-cipó com uma mutação genética para ter essa cor. Não tem nenhuma cobra que naturalmente tem essa cor e esse padrão. Vou ter que olhar com um pouco mais de atenção, mas parece uma cobra-cipó com alguma mutação”, explicou.
Apesar da análise inicial, o especialista ressalta que não é possível identificar a espécie apenas pelas imagens divulgadas. “Eu nunca tinha visto. Com certeza deve ser bem raro. Já adianto uma coisa importante: pelos frames do vídeo não dá para cravar a espécie com certeza. Cor é um dos piores critérios para identificar uma cobra”, afirmou. Confira o vídeo completo abaixo:
Gustavo destaca que a identificação correta depende de características anatômicas que não aparecem com clareza na gravação. “Quem identifica de verdade vai pela escama, pelo formato da cabeça e pela contagem de placas, e isso o vídeo não mostra”, disse.
Mesmo sem confirmar a espécie, o biólogo avalia que a hipótese mais provável é de que o animal pertença ao gênero Chironius, popularmente conhecido como cobra-cipó. “Minha hipótese mais forte é que seja uma cobra-cipó. Sobre o vermelho, está com cara de ser uma anomalia genética rara de pigmento chamada eritrismo, quando o animal perde os tons escuros e sobra o vermelho”, explicou.
Hipótese é de cobra-cipó com alteração genética
De acordo com Gustavo Figueirôa, a hipótese mais provável é que o animal pertença ao gênero Chironius, conhecido popularmente como cobra-cipó, grupo formado por serpentes esguias, ágeis e frequentemente encontradas na vegetação.

Além disso, a coloração avermelhada ou rosada pode estar relacionada a uma condição genética rara chamada eritrismo. “Minha hipótese mais forte é que seja uma cobra-cipó. Sobre o vermelho, está com cara de ser uma anomalia genética rara de pigmento chamada eritrismo, quando o animal perde os tons escuros e sobra o vermelho”, explicou.
Outra hipótese levantada por internautas
Além da hipótese de uma cobra-cipó com alteração genética, alguns internautas também sugeriram que o animal poderia ser uma caninana-vermelha (Spilotes sulphureus), espécie não peçonhenta encontrada em estados das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, incluindo Mato Grosso.

A serpente pode atingir até três metros de comprimento e apresenta hábitos tanto terrestres quanto arborícolas, sendo frequentemente observada em árvores. Os machos costumam ter coloração castanho-avermelhada ou alaranjada, além de um padrão característico de faixas irregulares ao longo do corpo.
A espécie possui atividade diurna e se alimenta de anfíbios, lagartos, outras serpentes, aves e pequenos mamíferos. Apesar das semelhanças de coloração apontadas por alguns usuários das redes sociais, Gustavo reforça que não é possível confirmar a identificação apenas pelas imagens.
O que é o eritrismo?
O eritrismo é uma condição genética rara caracterizada pelo excesso de pigmentação avermelhada ou rosada (ou pela ausência de outros pigmentos escuros) na pele, pelos, penas ou escamas de um animal. O fenômeno é semelhante a outras alterações genéticas de coloração, como o albinismo e o leucismo, mas se diferencia pela predominância dos tons vermelhos.
O termo tem origem na palavra grega erythros, que significa “vermelho”. Casos do tipo são considerados incomuns na natureza e costumam chamar a atenção pela aparência fora do padrão da espécie.
Sem imagens mais detalhadas ou a observação direta do animal, a identidade da serpente permanece um mistério. Enquanto isso, o vídeo continua despertando a curiosidade dos internautas e alimentando debates sobre qual espécie foi registrada às margens do rio em Sinop.
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