A primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Eliane Xunakalo (PT), afirma que enfrentou preconceito e ataques ao entrar na política e que a presença indígena nos espaços de poder ainda depende de uma mudança de consciência da sociedade.
Em entrevista ao podcast Política de Primeira, ela relatou que, durante a trajetória eleitoral, foi alvo de ofensas e agressões, muitas vezes sem sequer ser conhecida pelas pessoas. “Sem me conhecer, me atacavam, me xingavam. A primeira coisa que fazem é agredir a nossa identidade indígena, chamar de primitivo, de selvagem”, afirmou.
Eliane assumiu o cargo em abril, em sistema de rodízio partidário, e fez história ao se tornar a primeira mulher indígena a integrar o parlamento estadual em quase 190 anos.
Representatividade e responsabilidade
Ela destaca que carrega não apenas o cargo, mas a responsabilidade de representar mulheres e povos indígenas. “Eu carrego a ancestralidade e a responsabilidade disso. Representar alguém cria expectativa, e eu me preocupo em representar bem os povos indígenas e as mulheres”, disse.
Segundo a deputada, a baixa presença indígena na política está ligada não só à falta de candidaturas, mas também à necessidade de apoio mais amplo da sociedade. “Não são só os votos indígenas que elegem. É preciso que toda a sociedade entenda a importância dessa representatividade”, afirmou.