Produtores de queijo de diferentes países da Europa, entre 20 e 24 deste mês, participam de uma imersão cultural e gastronômica em Mato Grosso. Reunidos na missão da ‘Guilde Internationale des Fromagers‘, eles fazem visitas técnicas no Pantanal e de uma masterclass com queijeiros locais, em uma agenda que mistura intercâmbio profissional e observação do território pantaneiro.
A comitiva, formada por 15 especialistas da França, Inglaterra, Países Baixos, Suécia e Suíça, chegou ao estado poucos dias após o Desafio Mundial do Queijo, realizado em São Paulo, onde produtores mato-grossenses conquistaram 29 medalhas.
O contraste entre o reconhecimento recente e os desafios estruturais da cadeia produtiva local tem sido um dos pontos centrais das discussões. Presidente da Guilde, Roland Barthélemy afirma que a experiência em Mato Grosso evidencia o caráter universal do queijo.
“Durante o Desafio Mundial do Queijo, pudemos ver o orgulho no rosto de cada produtor que estava vencendo em suas categorias. O queijo é a primeira conserva da humanidade, quando entendemos que tínhamos que transformar um líquido em sólido para a sobrevivência da humanidade. E, desde então, tem se tornado um alimento indispensável a todos nós, sendo muito importante para o desenvolvimento de Mato Grosso”, disse durante a programação.
Formação completa
Uma das principais ações da missão foi a masterclass conduzida pelos especialistas Arnaud Czar (França) e Débora Pereira (Brasil), que reuniu também cerca de 30 produtores locais. O foco esteve nos entraves da produção artesanal em pequena escala, especialmente a dificuldade de padronização.
Segundo Czar, fatores como clima, alimentação do rebanho e variações naturais do leite impactam diretamente o resultado final. “Mesmo seguindo a mesma receita, o queijo muda todos os dias. O desafio é entender essas variações e trabalhar com elas para manter a qualidade”, explicou.

Apesar das limitações tecnológicas quando comparados às grandes indústrias, os produtores locais têm chamado atenção pelo potencial de inovação. Para o especialista francês, a ausência de uma tradição consolidada, como ocorre em regiões clássicas, pode ser justamente uma vantagem competitiva. “Aqui ainda há espaço para criar uma identidade própria, sem amarras históricas”, avaliou.
A atividade prática ocorreu na Fazenda Quintal da Cartucheira, propriedade que ganhou destaque ao conquistar três medalhas no concurso internacional em São Paulo. A produção começou em 2020, em meio à pandemia, como alternativa para evitar desperdício de leite e hoje aposta em queijos artesanais de longa maturação.
Além das trocas técnicas, a missão também percorre pontos turísticos do estado. Antes de seguir para o Pantanal, o grupo visitou o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. A programação segue até esta sexta-feira (24) em Porto Jofre, com atividades na região pantaneira que incluem observação da fauna e contato com a cultura local.
O encerramento da visita será marcado por uma cerimônia tradicional da associação, no Centro de Eventos do Pantanal, reunindo produtores, especialistas e autoridades.
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