O Museu de História Natural de Mato Grosso, em Cuiabá, tornou-se o palco do XII Encontro Intercultural Indígena nesta quinta e sexta-feira (23 e 24). O evento, realizado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) em parceria com o Instituto Ecoss, promove um mergulho na diversidade pluriétnica do estado, reunindo professores, estudantes e lideranças de diversas etnias.
A programação foca na formação continuada de educadores e na aproximação da rede pública com a realidade dos povos originários, integrando saberes de comunidades como os Iny, Balatiponé, Kurâ Bakairi, Boé-Bororo e Xavante.
Educação Intercultural e Legislação
O encontro atende às diretrizes da Lei 11.645/2008, que obriga o ensino da história e cultura indígena na educação básica. Além disso, as atividades seguem a Resolução nº 04/2019 do Conselho Estadual de Educação, que pauta o ensino baseado no bilinguismo e na interculturalidade.
Segundo Paula Cunha, superintendente de Educação Inclusiva da Seduc, a iniciativa humaniza o processo de aprendizagem. “Quando esse diálogo acontece, estudantes e professores passam a reconhecer que a cultura dos povos originários está no centro de uma formação mais humana e respeitosa”, destacou.
Vozes das Aldeias: Além dos Livros Didáticos
Para as lideranças indígenas, o espaço é uma oportunidade de desconstruir estereótipos que ainda persistem no ambiente escolar.
- Cacique Felisberto Cirerê (Xavante): Ressaltou que o evento amplia o reconhecimento dos povos originários perante estudantes não indígenas;
- Professor Magno Kurâ-Bakairi: Destacou a importância de apresentar os modos de vida, alimentação e cultura de forma viva, indo além do que é ensinado nos livros convencionais.
Alcance e Participação Estudantil
O XII Encontro Intercultural Indígena estima um alcance de 854 participantes diretos. A estrutura do evento foi organizada para receber:
- 640 estudantes em atividades divididas em quatro turnos;
- Representantes de 16 escolas estaduais da Grande Cuiabá;
- Coordenadores regionais e professores indígenas de diversas regiões do estado.
As atividades, que ocorrem das 08h às 18h, buscam transformar temas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — como sustentabilidade e alteridade — em práticas pedagógicas concretas que possam ser replicadas em sala de aula ao longo de todo o ano letivo.
A reportagem do CenárioMT reforça que a valorização da identidade indígena é fundamental para a preservação da história mato-grossense. Você acredita que as escolas de MT dedicam tempo suficiente ao ensino da cultura indígena? Deixe sua opinião abaixo.
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